A moagem de cacau na Costa do Marfim registrou uma retração relevante no início da temporada 2025/26, reforçando os sinais de cautela da indústria local diante do ambiente de preços elevados e margens pressionadas. Dados divulgados pela GEPEX mostram que, em novembro, o volume processado somou 56.696 toneladas métricas, queda de 6,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado da safra, iniciada em outubro, a moagem totalizou 100.771 toneladas até o fim de novembro, representando um recuo ainda mais expressivo de 15,9% na comparação anual. O desempenho indica uma desaceleração mais ampla da atividade industrial, em contraste com a robusta capacidade instalada do país.
Os números da GEPEX refletem a operação de seis das maiores empresas moageiras atuantes no país, incluindo Barry Callebaut, Olam e Cargill Inc., grupos que concentram parcela significativa do processamento local e são termômetros da saúde do setor.
Apesar do recuo recente, a Costa do Marfim mantém uma capacidade total de moagem estimada em cerca de 750 mil toneladas anuais, patamar que a coloca em posição de liderança global na transformação industrial do cacau. O país, maior produtor mundial de amêndoas, disputa historicamente com a Holanda o posto de maior moageiro do planeta.
Analistas do mercado avaliam que a combinação de preços internacionais elevados, aperto na disponibilidade de grãos de qualidade e custos financeiros mais altos tem levado as indústrias a operarem com maior seletividade, ajustando ritmos de compra e processamento. Esse movimento tende a repercutir não apenas no fluxo de exportações de derivados, mas também na formação de estoques e na dinâmica de prêmios pagos ao produtor ao longo da temporada.
O comportamento da moagem marfinense seguirá no radar do mercado global nas próximas semanas, especialmente como indicador antecedente da demanda industrial efetiva em um contexto ainda marcado por volatilidade e incertezas no balanço global de oferta e demanda de cacau.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


