Sucden fecha unidade em San Pedro durante pico da safra na Costa do Marfim

A Sucden, tradicional empresa francesa de comércio de cacau e uma das grandes compradoras globais da commodity, encerrou suas operações no porto de San Pedro, no sudoeste da Costa do Marfim, segundo fontes familiarizadas com o assunto.

Maior produtor mundial de cacau, a Costa do Marfim concentra em San Pedro um dos seus principais polos logísticos, pela proximidade com importantes regiões produtoras. A Sucden, sigla de Sucres et Denrées, mantém operações no país tanto em San Pedro quanto em Abidjan, principal centro comercial marfinense, de onde tradicionalmente realiza compras de amêndoas para revenda no mercado internacional.

O encerramento das atividades em San Pedro ocorre em um momento sensível para a cadeia cacaueira: o auge da principal safra do país africano. Procurado, Thomas Roche, diretor-geral da unidade da empresa na Costa do Marfim, recusou-se a comentar o assunto. A sede da companhia, em Paris, também não respondeu aos contatos feitos por telefone e e-mail.

Embora os motivos do fechamento não tenham sido oficialmente esclarecidos, o movimento acontece em meio a um início de temporada marcado por forte turbulência. Após atingirem níveis historicamente elevados no ano passado, os preços internacionais do cacau recuaram de forma expressiva em 2025, refletindo a melhora das safras globais e a retração do consumo de chocolates de maior valor agregado.

Esse novo ambiente de mercado contribuiu para um cenário atípico nos portos marfinenses nas últimas semanas. O fluxo de caminhões carregados de cacau aumentou significativamente, enquanto intermediários e exportadores passaram a enfrentar dificuldades para encontrar compradores em um contexto de liquidez reduzida e margens comprimidas.

Como resposta à crise, o governo da Costa do Marfim autorizou recentemente o órgão regulador da indústria cacaueira a adquirir cerca de 200 mil toneladas de grãos diretamente dos produtores, uma medida considerada incomum no setor. A iniciativa teve como objetivo aliviar a pressão sobre o campo, mas acabou agravando a situação financeira de exportadores locais, que passaram a absorver prejuízos relevantes.

O cenário de volatilidade também coincidiu com mudanças internas na estrutura da Sucden. No início deste ano, o então chefe da divisão global de cacau deixou a empresa. Posteriormente, Maurice Varsano, filho do diretor executivo do grupo, foi nomeado responsável pela unidade de cacau em Paris, assumindo a condução estratégica do segmento em um dos períodos mais desafiadores já vividos pelo mercado internacional da commodity.

O fechamento da operação em San Pedro reforça o clima de cautela que domina o comércio global de cacau e evidencia como a combinação de preços mais baixos, ajustes na demanda e intervenções governamentais vem redesenhando a dinâmica operacional no principal polo produtor do mundo.

Fonte: mercadodocacau com informações Bloomberg

 

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