Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional do cacau segue operando sob pressão, com dificuldade de sustentar movimentos consistentes de recuperação. A principal força por trás desse comportamento é a expectativa de uma safra robusta na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, onde as condições climáticas vêm favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
Relatos de produtores indicam que as chuvas frequentes nas principais regiões produtoras têm contribuído para a boa formação das vagens, reforçando a perspectiva de uma oferta confortável no curto e médio prazo. Esse cenário amplia a cautela dos compradores e reduz o apetite por recomposição de posições, mantendo o mercado em um intervalo de preços relativamente limitado.
Na bolsa de Nova York, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou o último pregão em queda de US$ 75, cotado a US$ 3.180 por tonelada. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.168 e a máxima de US$ 3.332, refletindo a falta de direção mais clara no mercado. O volume negociado foi de 35.169 contratos, com 14.848 negócios realizados, enquanto o interesse em aberto registrou avanço de 1.399 contratos, totalizando 193.026 posições, um indicativo de entrada de novos participantes, ainda que sem força suficiente para reverter a tendência.
Do lado da oferta disponível, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) continuam em trajetória de alta. Houve aumento de 9.239 sacas na última atualização, elevando o total para 2.335.682 sacas nos portos dos Estados Unidos, reforçando a percepção de maior disponibilidade física no mercado internacional.
No campo técnico, o índice de força relativa (RSI) opera na região de 39%, sinalizando um mercado próximo de níveis de sobrevenda, mas ainda sem confirmação de reversão. Os principais níveis seguem bem definidos, com resistências situadas nas faixas de US$ 3.500 e US$ 3.800, enquanto os suportes estão entre US$ 3.150 e US$ 3.000.
No ambiente macroeconômico, o contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 31 de março de 2026 é negociado a R$ 5,26, fator que segue influenciando diretamente a formação de preços no mercado interno brasileiro, especialmente nas negociações indexadas à bolsa de Nova York.
Diante desse conjunto de fatores como safra promissora na África, aumento dos estoques certificados e fragilidade da demanda, o mercado tende a permanecer pressionado no curto prazo, com movimentos de alta limitados e dependentes de mudanças mais relevantes no equilíbrio global entre oferta e consumo.
Fonte: mercadodocacau


