Tensão no Golfo impulsiona petróleo e reacende volatilidade no mercado de cacau

Por: Claudemir Zafalon

A escalada do conflito na região do Golfo voltou a movimentar os mercados globais de commodities nos últimos dias. O aumento das tensões geopolíticas elevou significativamente os preços do petróleo, movimento que tradicionalmente tende a influenciar diversas matérias-primas agrícolas e energéticas. Nesse cenário, o mercado internacional de cacau também passou a refletir um ambiente de maior volatilidade e possível recomposição de preços.

Na última sexta-feira, o contrato de cacau com vencimento em maio encerrou o pregão cotado a US$ 3.230 por tonelada, registrando alta de US$ 175 no dia. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 3.022 e a máxima de US$ 3.250, refletindo um pregão de forte movimentação. O volume negociado somou 45.025 contratos, com 21.514 negócios realizados, enquanto o interesse em aberto aumentou em 285 contratos, alcançando 191.304 contratos, sinalizando recomposição gradual das posições no mercado.

No mercado físico ligado às entregas do contrato, foram registrados 10 contratos entregues pelo ABN Amro, enquanto o Citigroup recebeu 3 contratos e o Société Générale recebeu 7, elevando o total acumulado de entregas para 741 contratos.

Enquanto isso, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos voltaram a crescer. Houve aumento de 5.671 sacas, levando o total armazenado para 2.204.098 sacas, um indicador que continua sendo observado de perto pelos participantes do mercado por refletir a disponibilidade imediata da matéria-prima.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do cacau encontra-se atualmente na faixa de 36%, sugerindo que o mercado ainda opera próximo de uma zona de sobrevenda, o que pode favorecer movimentos de recuperação caso novos fatores de suporte apareçam.

Analistas também destacam níveis importantes no gráfico do contrato de maio. A zona de resistência está situada entre US$ 3.250 e US$ 3.500, enquanto os suportes relevantes se encontram na faixa entre US$ 3.000 e US$ 2.800. Esses patamares devem servir como referência para os próximos movimentos de preço.

Outro ponto aguardado pelo mercado é a divulgação do relatório global de moagens do primeiro trimestre, prevista para 16 de abril, indicador considerado uma das principais medidas da demanda mundial por cacau.

No campo macroeconômico, o câmbio também segue no radar dos agentes. O contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 31 de março de 2026 está atualmente cotado em R$ 5,30, fator que influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras e a formação dos preços internos do cacau.

Com o aumento das tensões geopolíticas, a elevação do petróleo e o reposicionamento dos fundos nos mercados de commodities, o cacau volta a entrar no radar dos investidores. Ainda que os fundamentos de oferta sigam apontando para maior disponibilidade global, o ambiente internacional indica que a volatilidade deverá continuar marcando o comportamento das cotações nas próximas semanas.

Fonte: mercadodocacau

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