A produção de cacau comercializada oficialmente em Camarões sofreu uma forte retração na safra 2025/26, totalizando 247.914 toneladas, volume 19,9% inferior ao registrado na temporada anterior, quando o país atingiu um recorde histórico de 309.518 toneladas. Os dados divulgados pelo Conselho Nacional do Cacau e Café (ONCC) evidenciam que o desempenho da última campanha foi o mais fraco dos últimos cinco anos, reforçando os desafios estruturais enfrentados pela cacauicultura africana.
Embora o volume divulgado represente apenas o cacau negociado pelos canais formais de comercialização, sem considerar estoques ou vendas informais, a redução reforça um cenário de menor disponibilidade de matéria-prima em um dos principais produtores do continente.
Entre os fatores que explicam a retração destacam-se os impactos das mudanças climáticas, com chuvas irregulares e períodos prolongados de seca, além da maior incidência de pragas, da perda de fertilidade dos solos e do envelhecimento dos cacaueiros. Segundo especialistas do setor, essas condições vêm comprometendo a floração das plantas, reduzindo o desenvolvimento das vagens e dificultando a produção de mudas para renovação das lavouras.
A situação é agravada pelas dificuldades na reposição dos pomares. A Cocoa Development Corporation (Sodecao) estima perder entre 40% e 50% das mudas jovens em alguns viveiros, limitando os programas de renovação justamente em um momento em que o país busca elevar a produtividade sem ampliar o desmatamento.
Mesmo com a retração nacional, a Região Central manteve a liderança na comercialização de cacau, concentrando 44,54% das compras oficiais, equivalente a aproximadamente 110,4 mil toneladas. Em seguida aparecem as regiões Sudoeste (19,87%), Litorânea (18,50%), Sul (6,54%) e Leste (6,17%).
Para o mercado internacional, a queda da produção comercializada em Camarões soma-se às recentes projeções de redução da safra em Gana e na Costa do Marfim, fortalecendo a percepção de que a próxima temporada africana poderá enfrentar restrições de oferta. Embora Camarões tenha participação menor na produção global em comparação aos dois maiores produtores mundiais, o recuo reforça um padrão observado em diferentes países da África Ocidental e Central, onde eventos climáticos adversos, lavouras envelhecidas e limitações agronômicas continuam comprometendo o potencial produtivo da região.
Caso esse cenário persista nos próximos meses, o mercado poderá manter um viés de sustentação para as cotações internacionais, especialmente se as preocupações com a oferta forem acompanhadas por uma recuperação gradual da demanda da indústria global de chocolate.
Fonte: mercadodocacau com informações businessincameroon




