Cacau avança no interior de São Paulo e abre nova fronteira de produção no Brasil

O cultivo de cacau começa a ganhar espaço no interior de São Paulo e desponta como uma nova alternativa de diversificação para produtores rurais. Presente em cerca de 120 propriedades paulistas, a cultura avança em uma região tradicionalmente distante dos principais polos produtores brasileiros, concentrados sobretudo na Bahia e no Pará.

Municípios como Álvares Florence estão entre as áreas que vêm experimentando a cultura. Em algumas propriedades, a integração com outras atividades rurais também tem contribuído para o desenvolvimento das lavouras. Resíduos orgânicos provenientes da pecuária, por exemplo, estão sendo utilizados na adubação dos cacaueiros, melhorando as condições do solo e aproveitando recursos disponíveis dentro das próprias fazendas.

A adaptação do cacau às condições climáticas do interior paulista, entretanto, ainda representa um dos principais desafios. Temperaturas elevadas, períodos de calor intenso e ventos exigem cuidados adicionais no manejo, especialmente durante a implantação das lavouras.

Segundo Hugo Prete, gerente de uma fazenda produtora de cacau, as dificuldades climáticas foram maiores do que inicialmente projetadas, exigindo ajustes no sistema de produção.

Uma das estratégias adotadas é o cultivo consorciado, utilizando outras espécies para proporcionar proteção e sombreamento aos cacaueiros durante os primeiros anos. A técnica busca criar um ambiente mais favorável ao desenvolvimento das plantas jovens, reduzindo os efeitos das temperaturas elevadas.

De acordo com Fernando Miqueletti, gestor do Projeto Cacau SP, o sombreamento tem papel importante principalmente durante os três primeiros anos, período em que os cacaueiros ainda estão em formação. Após o início da produção, entretanto, experiências conduzidas no estado indicam que a redução gradual da sombra pode favorecer o aumento da produtividade.

A expansão paulista ainda ocorre em escala relativamente pequena diante dos grandes polos produtores nacionais, mas representa um movimento importante de diversificação geográfica da cacauicultura brasileira. O avanço das experiências permitirá avaliar produtividade, custos de produção, adaptação de variedades e modelos de manejo capazes de tornar a atividade economicamente competitiva nas condições do interior de São Paulo.

Caso os resultados continuem positivos, São Paulo poderá se consolidar como mais uma fronteira emergente da produção brasileira de cacau, ampliando a presença da cultura para além das regiões onde historicamente esteve concentrada.

Fonte: mercadodocacau com informações R7

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