A desaceleração da demanda segue dando o tom ao mercado global de cacau, conforme evidenciado pelos números de moagem do primeiro trimestre na América do Norte. Os dados vieram abaixo das expectativas e reforçam o ambiente de ajuste que domina a cadeia, ainda que outros polos, especialmente a Ásia, passem a ganhar maior protagonismo no radar dos participantes.
A moagem norte-americana totalizou 106.087 toneladas, uma queda de 3,8% em relação às 110.278 toneladas registradas no mesmo período do ano passado. O número também ficou abaixo da estimativa média dos traders, que apontava retração de 2,8%. Apesar do desempenho mais fraco, o foco do mercado começa a migrar para o comportamento da demanda asiática, que tem apresentado sinais relativos de maior resiliência frente ao cenário global de contração.
No mercado futuro, o contrato mais líquido de cacau com vencimento em julho encerrou o último pregão cotado a US$ 3.455 por tonelada, com valorização de US$ 71 no dia. A sessão foi marcada por volatilidade moderada, com preços oscilando entre a mínima de US$ 3.443 e a máxima de US$ 3.612. O volume negociado somou 45.372 contratos, distribuídos em 21.565 negócios, enquanto o interesse aberto apresentou recuo de 1.055 contratos, totalizando 195.395.
No lado da oferta disponível para entrega, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos seguem em trajetória de alta, alcançando 2.624.492 sacas após incremento de 8.083 sacas. Esse movimento reforça a percepção de maior disponibilidade física no curto prazo, contribuindo para limitar movimentos mais consistentes de recuperação dos preços.
Do ponto de vista técnico, o índice de força relativa (RSI) do contrato julho se mantém em 55,4%, indicando uma condição neutra, sem sinais claros de sobrecompra ou sobrevenda. No gráfico, o mercado encontra resistência nas regiões de US$ 3.700 a US$ 3.850, enquanto os suportes mais relevantes estão posicionados em US$ 3.400 e US$ 3.200.
Outro ponto de atenção é o início do período de liquidação física do contrato de maio, programado para o dia 24 de abril, o que tende a trazer ajustes adicionais de posição no curto prazo e possível aumento de volatilidade.
No cenário macro, o câmbio também segue como variável relevante para a formação de preços no Brasil. O contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 30 de abril de 2026 está cotado a R$ 5,00, patamar que influencia diretamente a competitividade das exportações e a dinâmica de precificação no mercado interno.
Fonte: mercadodocacau


