Os agricultores de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, reforçaram nesta segunda-feira (25) a necessidade de um clima equilibrado — com mais sol e chuvas consistentes — para garantir o bom desempenho da próxima safra principal, que ocorre entre outubro e março.
O país atravessa a estação chuvosa, que vai de abril até meados de novembro. Porém, na última semana, o volume de precipitações ficou bem abaixo da média histórica, segundo relatos coletados pela agência Reuters.
Apesar disso, agricultores afirmaram que os pés de cacau apresentam grupos de frutos em desenvolvimento, mas o tamanho final dependerá do clima de setembro. A alternância correta entre sol e chuva é vista como determinante para que os cacaueiros expressem seu potencial máximo.
-
Soubre, Agboville, Divo e Abengourou (oeste, sul e leste):
Nessas áreas, embora as chuvas tenham ficado abaixo da média, os agricultores se mostraram confiantes. As árvores estão carregadas com frutos de diferentes tamanhos, e a expectativa é de boas colheitas mensais já a partir de setembro, com maior intensidade em novembro e dezembro.“As árvores estão carregando muitos frutos. Esperamos ter uma grande colheita este ano”, afirmou Alphonse Zoua, produtor da região de Soubre, que registrou apenas 2 mm de chuva na última semana, número ainda 13 mm acima da média de cinco anos para o período.
-
Daloa, Bongouanou e Yamoussoukro (centro-oeste e regiões centrais):
Nessas localidades, a situação é mais preocupante. A queda acentuada nas chuvas pode afetar o desenvolvimento dos frutos. Em Daloa, por exemplo, choveu apenas 1,2 mm na semana passada, 23,6 mm abaixo da média quinquenal.“Se não houver sol suficiente em algumas semanas, os primeiros grãos serão de má qualidade”, alertou Louis N’Goran, agricultor de Daloa.
Além do déficit hídrico, produtores temem que o tempo nublado prolongado favoreça a propagação de doenças fúngicas nas plantações. Mesmo com árvores carregadas, a qualidade dos grãos dependerá diretamente de condições climáticas estáveis no curto prazo.
As temperaturas médias na semana passada variaram entre 23,4°C e 25,7°C, dentro do padrão favorável ao desenvolvimento do cacau, mas a falta de chuvas adequadas gera apreensão.
Com o mercado global já atento a possíveis déficits de oferta, as próximas semanas em território marfinense serão decisivas. Caso o clima não colabore, a safra principal poderá enfrentar reduções de volume e qualidade, pressionando ainda mais os preços internacionais do cacau.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


