Por: José Luiz Tejon
Muito cuidado. Estamos vivendo um momento de perseguições, onde a tática de apontar culpados nos outros tem sido a nefasta fórmula de péssimos líderes acreditarem que estariam liderando o país em meio a uma das maiores crises da nossa história. Tenho registrado crescentes rumores e dedos apontados para os agricultores como vilões dos preços altos da alimentação e da inflação.
Isso é absolutamente incorreto. Agricultores produzem alimentos mas não comandam seus preços. Aliás agricultores formam um dos raros setores econômicos e sociais vitais para a vida que não mandam nem nos preços finais do que produzem e também não dominam os preços dos insumos que precisam utilizar para produzir. Por isso a moeda dos agricultores tem sido uso de tecnologia e de sabedoria para fazer da produtividade do lado de dentro das porteiras a fórmula para poder competir.
Atividade plena de fatores incontroláveis e de incertezas. Nesta safra perdemos cerca de 12 milhões de toneladas de milho, não por desejo ou ineficiência dos produtores do Brasil, mas por outro fator incontrolável o clima, com estiagem e agora com geadas. Teremos prejuízos em praticamente todas as lavouras. Da mesma forma nas pastagens.
Ao lado dos agricultores, estão os consumidores finais de alimentos, da bioenergia, das fibras do algodão, do cacau, café, frutas e hortaliças. Os preços que explodiram tem como causa uma crise global, uma demanda por matérias primas essenciais. Na metade do ano de 2020 a ABRAS – Associação Brasileira dos Supermercados nos alertava para a impossibilidade de repor estoques de alimentos pelos mesmos preços que estavam praticando ao consumidor. Então neste momento sofrem tanto os consumidores com preços, quanto os agricultores com seu custos, da semente, do fertilizante até as embalagens de papelão.
O risco de plantar e criar sob incertezas tem sido dos agricultores que não mandam em preço nenhum. Em paralelo os consumidores e toda a sociedade sofrem da ausência da única possibilidade de mitigação do sofrimento: planejamento estratégico e governança de governos junto com a sociedade civil organizada incluindo armazenagem, estoques de segurança, seguro, irrigação, logística e fundamentos ESG em todos os sentidos, tanto para custos e preços quanto para a inevitável fome humana.
Agricultores e consumidores formam obrigatoriamente uma só sociedade, uma agrocidadania, como tem se manifestado a CNA – Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária. As crises são duras mas reveladoras da importância do planejamento e da cooperação humana. Líderes parem de brigar e vamos governar. Fonte: A Tarde


