Fabricante suíça mantém resultado dentro do esperado, mas adverte para persistência de instabilidade na cadeia de fornecimento de grãos
A Barry Callebaut, maior fabricante de chocolate industrial do mundo, revisou novamente para baixo suas projeções de volume de vendas para o ano fiscal de 2024/25, citando um ambiente de mercado “sem precedentes” no setor de cacau. Esta é a terceira vez no ano que a empresa ajusta sua orientação, em meio à crise de oferta e à extrema volatilidade nos preços globais da principal matéria-prima do chocolate.
Segundo comunicado divulgado na quinta-feira (10), a companhia suíça agora espera que seu volume de vendas recue 7% até 31 de agosto, encerramento do seu ano fiscal. A redução ocorre mesmo após a Barry Callebaut ter afirmado anteriormente que esperava uma queda em torno de um dígito percentual, resultado das oscilações acentuadas nos preços dos grãos de cacau, atualmente negociados em torno de £5.455 por tonelada na bolsa de Londres.
Apesar do ajuste, os resultados consolidados dos nove primeiros meses do exercício ficaram em linha com as expectativas do mercado, com volume total de vendas de 1,6 milhão de toneladas, conforme a média das projeções dos analistas consultados pela própria empresa. No entanto, o terceiro trimestre isolado registrou uma queda de 9,5% no volume, refletindo o impacto direto do aumento nos custos e da retração na demanda.
As ações da Barry Callebaut recuaram 2,8% no pré-mercado nesta manhã, diante da crescente preocupação entre investidores e analistas sobre a visibilidade limitada da administração. “A baixa visibilidade também pode levantar questões sobre o sistema de informações gerenciais da empresa”, alertou Matteo Lindauer, analista da Vontobel.
A companhia também revisou para baixo sua projeção de crescimento do lucro operacional, que agora deve subir apenas em um dígito médio a alto em moeda constante. A meta anterior, divulgada em abril, previa um avanço de dois dígitos.
Mesmo com a queda no volume, a receita líquida subiu cerca de 50% no acumulado de nove meses, graças à estratégia da empresa de repassar os custos das matérias-primas aos clientes industriais, como Nestlé, fabricante do KitKat.
O cenário de pressão sobre o setor deve continuar. Embora os futuros do cacau em Londres tenham recuado para a mínima de oito meses nesta semana, devido às perspectivas de melhor desempenho produtivo na América do Sul, fontes da indústria alertam para um provável declínio de 10% na produção da África Ocidental — região que responde por mais de dois terços do fornecimento global — na safra 2025/26.
Diante da combinação de menor oferta, volatilidade nos preços e custos elevados, a Barry Callebaut segue em um ambiente desafiador, com necessidade de manter flexibilidade operacional e vigilância constante sobre as tendências do mercado global de cacau.
Fonte: mercadodocacau com informações esm



1 Comment
Boa noite
Diante das incerteza se for de interesse temos como fornecer o cacau em amêndoa pra vocês direto do produtor
Att Valdemiro ribeiro Alves