Cacau amplia volatilidade e reforça ambiente de forte incerteza

Por: Claudemir Zafalon

Após a forte arrancada recente, impulsionada principalmente pela cobertura de posições vendidas e pelos temores relacionados a possíveis impactos climáticos nas principais regiões produtoras, o mercado internacional de cacau voltou a mostrar sua conhecida volatilidade. O movimento de alta, que chegou a adicionar cerca de mil pontos às cotações em poucos pregões, perdeu força rapidamente, e os preços devolveram praticamente toda a valorização na mesma intensidade.

O contrato julho do cacau na bolsa de Nova York encerrou o pregão de ontem cotado a US$ 3.791 por tonelada, com queda expressiva de US$ 211 no dia. A sessão foi marcada por elevada volatilidade, com oscilações entre a mínima de US$ 3.721 e a máxima de US$ 3.953, refletindo um mercado ainda bastante sensível a fluxos especulativos e mudanças bruscas de percepção.

O volume negociado permaneceu robusto, com 53.932 contratos movimentados em 21.538 negócios, evidenciando intensa participação financeira. Um dado que chama atenção é o avanço do interesse em aberto, que aumentou 2.046 contratos, atingindo um total estimado de 194.471 contratos, mesmo em um pregão de forte baixa. Esse comportamento sugere entrada de novas posições vendidas no mercado, indicando que parte dos agentes segue apostando em continuidade da pressão baixista.

Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice Relativo de Força) do contrato julho recuou para 48,5%, retornando para uma zona neutra após a recente sobrecompra. O indicador reforça a leitura de que o impulso altista perdeu consistência e que o mercado volta a buscar direção mais alinhada aos fundamentos.

Entre esses fundamentos, permanece pesando a percepção de demanda global ainda enfraquecida. Apesar das preocupações climáticas envolvendo a formação de um possível El Niño e seus potenciais impactos sobre a produção futura na África Ocidental, os compradores continuam cautelosos diante do histórico recente de destruição de demanda, reformulações industriais e estoques ainda confortáveis de derivados em importantes polos consumidores.

Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos avançaram mais 3.260 sacas, alcançando 2.662.276 sacas, sinal adicional de disponibilidade física no curto prazo e fator que limita movimentos mais sustentáveis de recuperação.

No mercado cambial, o contrato futuro do real com vencimento em junho operava nesta manhã em R$ 5,04 por dólar, patamar que mantém impacto relevante na formação dos preços domésticos brasileiros. Embora o Brasil não tenha perfil fortemente exportador de cacau em grão, a referência internacional em Nova York continua sendo convertida pela taxa de câmbio, influenciando diretamente a precificação interna.

Fonte: mercadodocacau

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