Por: Claudemir Zafalon
Os contratos futuros de cacau tiveram uma forte queda de mais de 4% na sessão de ontem (11), refletindo uma combinação de otimismo sobre o avanço das colheitas na África Ocidental e a possibilidade de adiamento da lei antidesmatamento da União Europeia, que impõe novas regras de rastreabilidade às exportações agrícolas.
O contrato de março (CCH25) recuou US$ 272, encerrando o dia a US$ 5.929 por tonelada, após oscilar entre US$ 5.844 e US$ 6.187. O movimento marcou o nível mais baixo desde meados de outubro, e sinaliza perda de força no curto prazo após semanas de resistência na faixa dos US$ 6.200–6.400.
O sentimento de baixa foi impulsionado por informações de que as chegadas de cacau aos portos da Costa do Marfim, maior produtora mundial, aumentaram nas últimas semanas, revertendo o início lento da temporada 2025/26. Agricultores locais relataram que chuvas leves combinadas com temperaturas mais elevadas favoreceram o desenvolvimento das lavouras, indicando condições positivas para a principal safra (outubro a março).
Os negócios realizados somaram 18.235 contratos, com volume total de 40.666 contratos. O interesse em aberto no contrato de dezembro, que entra em liquidação física no dia 21, caiu 2.177 contratos, ficando em 24.857. Já o total de posições em aberto no mercado subiu 1.257 contratos, atingindo 120.587.
O movimento também foi influenciado por notícias de que a União Europeia estuda adiar em um ano a aplicação da lei antidesmatamento, segundo um documento preliminar de negociação obtido pela Reuters. A proposta sugere adiar a entrada em vigor da norma para dezembro de 2026, reduzindo temporariamente a pressão sobre exportadores de cacau, café e outras commodities.
A possível postergação foi bem recebida por parte do mercado, já que a medida poderia evitar gargalos logísticos e comerciais no curto prazo, especialmente entre produtores da África Ocidental e América Latina, que ainda enfrentam dificuldades para atender aos requisitos de rastreabilidade georreferenciada.
Nos portos dos Estados Unidos, os estoques certificados monitorados pela ICE registraram nova queda de 10.362 sacas, totalizando 1.786.616 sacas , ainda dentro de uma faixa considerada baixa, mas sem provocar reação altista imediata.
O contrato futuro de Real x Dólar (dezembro) manteve a tendência de queda, sendo cotado a R$ 5,285, acompanhando o enfraquecimento global da moeda norte-americana e contribuindo para limitar ganhos locais nas cotações do cacau em reais.
Com o recuo, o contrato de março testa suporte importante na região de US$ 5.800, enquanto a resistência permanece próxima a US$ 6.200. A tendência de curto prazo permanece neutra a levemente baixista, com foco dos operadores na evolução da safra africana e nas negociações políticas da União Europeia nas próximas semanas.
Fonte: mercadodocacau


