Cacau desafia aversão global ao risco e alcança maior nível desde janeiro impulsionado por preocupações climáticas

Por: Claudemir Zafalon

Mesmo diante do aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros globais, o mercado internacional de cacau manteve sua trajetória de alta e atingiu nesta semana o maior patamar desde meados de janeiro. O movimento reforça que, neste momento, os fundamentos ligados à oferta seguem prevalecendo sobre o ambiente macroeconômico.

Os principais índices acionários recuaram ao redor do mundo após um novo episódio de tensão no Estreito de Hormuz, importante rota para o comércio mundial de petróleo. O aumento das incertezas elevou a busca por ativos considerados mais seguros e pressionou diversas commodities agrícolas.

No entanto, o cacau seguiu um caminho diferente. As cotações permaneceram sustentadas pelo prêmio de risco climático, refletindo as crescentes preocupações com as condições meteorológicas nas principais regiões produtoras da África Ocidental. O mercado acompanha atentamente o encerramento da safra intermediária e, principalmente, o desenvolvimento da próxima safra principal, em meio às previsões de maior influência do fenômeno El Niño nos próximos meses.

O contrato futuro de cacau com vencimento em setembro encerrou a última sessão cotado a US$ 5.247 por tonelada, avanço de US$ 274 no dia. Durante o pregão, os preços oscilaram entre US$ 4.980 e US$ 5.343, evidenciando a elevada volatilidade característica do mercado.

A movimentação também foi acompanhada por forte atividade dos participantes. Foram negociados 29.168 contratos, totalizando um volume de 66.554 contratos, enquanto o interesse em aberto aumentou em 2.315 contratos, alcançando 184.341 contratos. O crescimento do interesse aberto durante um movimento de alta costuma indicar entrada de novos compradores e fortalecimento da tendência.

Outro indicador que chama atenção é o Índice de Força Relativa (RSI), atualmente em 76%. Embora esse nível sinalize que o mercado se aproxima de uma condição tecnicamente sobrecomprada, ele também demonstra a intensidade da pressão compradora observada nas últimas sessões.

No mercado físico da bolsa, as entregas do contrato de julho seguem limitadas. Foram registradas 17 entregas realizadas pela RBC Capital, distribuídas entre ABN (1 contrato), Citi (11 contratos) e SocGen (6 contratos), elevando o acumulado para 267 contratos.

Enquanto isso, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) continuam em recuperação. Houve aumento de 11.958 sacas, totalizando 2.948.286 sacas armazenadas nos portos norte-americanos. Apesar da evolução dos estoques, o volume ainda não tem sido suficiente para reduzir as preocupações do mercado com a disponibilidade global de cacau ao longo dos próximos meses.

No cenário cambial, o contrato futuro do real negociado em Chicago permaneceu praticamente estável, enquanto o dólar foi cotado a R$ 5,185. Para o mercado brasileiro, a combinação entre preços internacionais elevados e um câmbio ainda acima de R$ 5,00 continua oferecendo sustentação aos valores praticados no mercado interno, embora os diferenciais de compra permaneçam sendo um fator importante para a formação dos preços ao produtor.

Com o mercado cada vez mais sensível às previsões climáticas e à evolução das lavouras na África Ocidental, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada nas próximas semanas, mantendo o clima como principal direcionador das cotações internacionais do cacau.

Fonte: mercadodocacau

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