Coletiva na Associação Comercial e Empresarial de Itabuna reforça necessidade de articulação política e soluções para fortalecer produtores do sul da Bahia
A crise do cacau no sul da Bahia, agravada por fatores econômicos e pela crescente dependência da importação do produto, tem acendido um sinal de alerta em toda a cadeia produtiva. Diante desse contexto, o debate sobre os reflexos econômicos e a construção de soluções estruturantes torna-se urgente e estratégico para a retomada do protagonismo da região cacaueira.
Foi nesse cenário que a sede da Associação Comercial e Empresarial de Itabuna reuniu, na manhã desta quinta-feira (23), representantes de entidades do setor produtivo, lideranças políticas e a imprensa local para discutir os desafios enfrentados pela cadeia do cacau no sul da Bahia. A coletiva de imprensa foi promovida em parceria com a Associação Nacional de Produtores de Cacau, o Território Litoral Sul, a Associação dos Agropecuaristas do Sul da Bahia e a Câmara de Vereadores de Itabuna.

O encontro contou com a presença do presidente da Câmara Setorial do Cacau, Fausto Pinheiro; do presidente da ACI, Erivaldo Benevides; do professor do curso de Sociedade e Cooperativismo da Universidade Estadual de Santa Cruz, Antônio Zugaib; do presidente da Câmara Municipal, Manoel Porfírio; e da presidente da ANPC, Vanuza Barroso.
Durante a coletiva, um dos pontos centrais foi a crise enfrentada pelo setor cacaueiro. Em resposta a questionamentos do Mercado do Cacau, Vanuza Barroso destacou a necessidade urgente de articulação política em defesa dos produtores. “A associação representa o produtor, mas não ‘tem a caneta’ para fazer com que as políticas públicas aconteçam. Por isso, estamos constantemente buscando apoio e representantes que possam transformar essa realidade e garantir que essas políticas saiam do papel e cheguem, de fato, ao campo”, afirmou.
Vanuza reforçou ainda que a atuação da entidade não possui viés partidário, priorizando o diálogo com diferentes esferas e correntes políticas. “A nossa luta não é partidária. A gente conversa com todos que estejam dispostos a contribuir, porque o nosso foco é um só: melhorar a vida do produtor de cacau e garantir condições dignas para quem vive dessa cultura”, destacou.
Em um momento de maior franqueza, a presidente também compartilhou os desafios da condução da entidade. Segundo ela, a caminhada tem sido difícil e, em alguns momentos, desmotivadora. “Já pensei, sim, em desistir, porque não é fácil. Mas quando olho para os avanços que já conquistamos e percebo a falta de pessoas dispostas a assumir essa responsabilidade, entendo que ainda precisamos continuar”, completou.
Ainda no campo político, Vanuza revelou que, apesar de não ter pretensões imediatas de disputar cargos eletivos, seu nome tem sido citado como possível representante federal do setor. “Hoje, não é um projeto definido. Existe um apelo, um pedido de muitos produtores, mas é uma decisão que envolve família e estrutura. É algo que pode ser pensado no futuro”, pontuou.
O presidente da Câmara Setorial do Cacau, Fausto Pinheiro, reforçou que há um esforço contínuo junto aos governos para melhorar as condições de produção. “Estamos dialogando com o poder público em busca de soluções concretas. O produtor precisa de condições reais para produzir, acesso a crédito, tecnologia e políticas que garantam rentabilidade e sustentabilidade para a atividade”, destacou.
Encerrando a coletiva, o presidente da ACI, Erivaldo Benevides, agradeceu a presença das instituições e da imprensa, ressaltando o papel da entidade como espaço de diálogo. “A ACI está de portas abertas para discussões que contribuam com o desenvolvimento de Itabuna e de toda a região. É através do diálogo responsável e da união de forças que conseguimos avançar em pautas importantes como essa”, concluiu.
Fonte: mercadodocacau


