Cacau na Bahia vive renascimento após 30 anos com vassoura-de-bruxa

Região, que ganhou selo de Indicação Geográfica em 2018, vê potencial para ampliar porcentual de cacau superior na produção e desenvolver o mercado de pequenos empreendedores de chocolate

No ano em que se completam 30 anos da introdução da doença vassoura-de-bruxa em lavouras de cacau no sul da Bahia, a região – que segue convivendo com o fungo – vive uma fase de renascimento. Com produção reduzida a quase um quarto do volume que se produzia na década de 1980, é constante a busca por um produto de maior qualidade e maior valor agregado.

Diversos atores vêm contribuindo nos últimos anos, com laboratório de análises de cacau e selo de Indicação Geográfica, para ajudar a estimular a região, aprimorar o beneficiamento do cacau e desenvolver a cena de muitas e pequenas marcas de chocolate bean to bar (feitos da amêndoa à barra).

Impulsionados por uma crescente demanda mundial desse tipo de chocolate feito em menor escala, com cacau de origem e maior qualidade no processo, cacauicultores do sul da Bahia têm a oportunidade de ampliar o percentual das amêndoas de cacau superior que saem das terras nos arredores de Ilhéus. Hoje, dentre os estimados 25 mil produtores da região, 97% do cacau ainda é commodity, segundo dados de estudo realizado pelo Sebrae da Bahia em parceria com o Instituto Arapyaú, divulgado em fevereiro deste ano.

O estudo levou quatro meses para ser feito com análise de dados, além de entrevistas com produtores locais e material recolhido em viagem de uma comitiva para a costa oeste dos Estados Unidos, onde a cena do chocolate bean to bar é referência. E, se o mundo está de olho em produtos gastronômicos cada vez mais rastreáveis, com origem e características sensoriais preservadas, a Bahia quer pegar carona.

“O consumidor está demandando produtos mais naturais, saudáveis, com menos ingredientes. Isso acontece no café, no vinho, no azeite e também no chocolate. Mas somos empresas pequenas e a grande cadeia varejista tem de entender isso. Não dá para cobrar da gente o que se cobra da Nestlé”, defende Pedro Magalhães Neto, presidente da Chocosul (Associação de Produtores de Chocolate do Sul da Bahia), que viajou para os EUA em janeiro com o Sebrae ao lado de outros produtores.

Neto de cacauicultor, Pedro deixou o emprego como tesoureiro em grande empresa de peças automotivas para voltar, em 2009, à fazenda da família, a Lajedo do Ouro, em Ibirataia. Em 2012, fez a primeira exportação de cacau fino para a França. Em 2015, com o aprimoramento de seus cultivos e depois de fazer cursos de chocolate, lançou a marca VAR, cuja pequena fábrica foi construída dentro da fazenda num espaço de 60 m2.

Hoje, sua fazenda produz 75 toneladas de cacau por ano, sendo ao menos 30% de cacau de alta qualidade, que vale pelo menos o dobro do commodity e alimenta o mercado dos pequenos empreendedores de chocolate. Exporta metade disso e a outra parte vende para marcas como Casa Lasevicius, de Bruno Lasevicius, em São Paulo – os dois são parceiros também na Associação Bean to Bar Brasil.

Com o cacau que vai para a sua marca VAR, Bruno faz em média 110 kg de chocolate por mês – seu faturamento em 2018 como chocolateiro ficou em torno de R$ 150 mil.

Indicação geográfica. Apesar de já estar alguns passos à frente da média dos produtores da região, Pedro integra um grupo cada vez mais crescente em busca de cacau de qualidade superior. Alguns deles agora apostam também no selo de Indicação de Procedência (IP) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), em 2018, para as “amêndoas de cacau do sul da Bahia”.

O selo é uma das duas modalidades de Indicação Geográfica no Brasil (a outra é a Denominação de Origem), que juntas somam 61 selos desde 2002, reconhecendo produtos como os vinhos do Vale dos Vinhedos (RS) e o queijo da Serra da Canastra (MG).

Mas não é só estar no sul da Bahia para ter o direito ao selo do cacau: critérios de origem e qualidade são analisados a cada lote pela Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia (ACSB), detentora do selo no Inpi. A ACSB, que reúne 16 entidades e representa mais de 3 mil produtores, é a responsável por formulários e visitas técnicas às fazendas.

Para receber o selo, o produtor deve cultivar o cacau em sistema cabruca (em meio à mata) ou agroflorestal, com baixa carga de defensivos, e deve ter amêndoas com fermentação mínima de 65%, umidade de até 8% e aroma livre de odores como fumaça, entre outros quesitos. Ou seja, aqui não entra o commodity.

“Os produtores estão reaprendendo a fazer. Porque, em 30 anos, a gente tem uma geração perdida, que desaprendeu a fazer cacau bom por causa da vassoura-de-bruxa”, conta o engenheiro agrônomo Cristiano Santana, diretor-executivo da ACSB.

Segundo ele, em um ano, 18 produtores entraram com o pedido do selo de Indicação Geográfica na associação, e 11 deles já o receberam, como Lucas Arléu (que vende amêndoas para marcas como Gallette) e Henrique Almeida (que faz o próprio chocolate, da marca Sagarana).

Depois de passar pela validação da ACSB in loco, o produtor tem sua saca lacrada e ganha um QR code com todas as informações de origem e qualidade do cacau. Também a partir de validação da associação, marcas de chocolate podem levar esse QR code até a embalagem, novidade estreada pela Sagarana neste mês, em Ilhéus.

“Quando o produtor pede o selo, ele melhora a imagem dele e ajuda a fomentar a região. Porque passa de commodity para cacau premium”, comenta Ana Carolina Menezes Argolo, analista de negócios do Sebrae-BA e gerente do projeto “Cacau e derivados da mata atlântica”.

Na região, estima Carolina, são cerca de 30 pequenas marcas de chocolate, que podem receber a ajuda do Sebrae para validação de planos de negócios, consultoria de gestão e práticas agrícolas, além de criação de marca e rotulagem. Fonte: Estadão

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

0 Comments

  1. Lourenzo disse:

    Só acredita nesses dados quem é trouxa! Aqui em Ilhéus não respeitam o isolamento !

  2. Adelino disse:

    Ainda bem que o prefeito não liberou os ônibus para circular pois se colocasse as taxas de crescimento do corona vírus estava muito auta, só olhar o tanto de pessoas que estão circulando no centro imagine essas pessoas agromeradas dentro dos ônibus o seria.

  3. Cyro disse:

    O transporte coletivo transformou se em ferramenta política na cidade, saibam que um doente da periferia só tem um meio de transporte para chegar ao atendimento médico " o coletivo" diferente dos usuários de transporte por aplicativos. Vale lembrar que um dos futuros concorrente à prefeitura da cidade é proprietário de transporte coletivo.
    Se somar 1+1=….

  4. Renata disse:

    Concordo com Lourenzo. Estou há quase três meses em isolamento fora de Ilhéus. Tomei essa medida porque percebi que a população não leva a sério o momento que estamos vivendo. Fui morar em Ilhéus recetemente e quase ñ deu pra curtir a cidade…logo a pandemia começou! Para completar, sempre soube que a medicina em Ilhéus não é lá essas coisas! Complicado viu, muito complicado! Antes de vir para o sítio onde estou em isolamento, da janela do meu quarto dava pra vê as pessoas fazendo caminhada e o pior…sem máscara! Um dia peguei minha família e coloquei dentro do carro para dar uma volta pq faziam muitos dias que estavam dentro de casa sem vê nem a "cara do sol"… fomos até Olivença ouvindo música…passeando de carro. Não descemos do carro pra nada. Tinha gente na praia! Sério! Fiquei horrorizada! Daí resolvi sair da cidade e vir para o sítio . Desejo: que as pessoas não só de Ilhéus,óbvio… tenham mais amor pelo próximo e pelos seus ficando em casa e usando máscaras álcool quando precisarem ir ao mercado, ou farmácia! Pelo menos eu entendo serem as duas coisas de necessidade mesmo. Quem ñ tem jeito e precisa trabalhar… façam tudo direitinho e Deus acompanhará vcs…a saída e chegada! Tem gente indo até ao salão kkkkk! Meu Deus, meu Deus! Depois dizem que isso veio para melhorar a humanidade! Como? Como gente? Acredito que o vírus veio como uma forma de aviso: "ou a humanidade muda ou vai vir coisa pior por ai" . É o fim do mundo.

  5. Rafael disse:

    Isolamento em ilhéus nunca existiu!!! Tanto é que nem mesmo a fiscalização da conta de tanta denuncia!!!

  6. AJILEU Jose de Souza disse:

    Alguma previsão da reabertura das praias?

  7. Fabiana Santiago alves disse:

    Ilheus tá barril t m coronavirus em todos os lugares muita jente na rua

  8. Eduardo Magalhães disse:

    Imprensa séria é aliada da sociedade e não das "autoridades". Essa matéria tem todos os indicadores de que foi produzida dentro da prefeitura. Qualquer pessoa sensata sabe que o isolamento social em Ilhéus está sendo desrespeitado sistemáticamente. O prefeito não goza da confiança do povo. As iniciativas e recomendações dele são ignoradas.

  9. Maria disse:

    Que ver taxa reduzida de isolamento, vá no comércio
    ,tanta gente na rua e muitos de cara pra cima,idoso,crianças, gestantes, jovens, e pura aí vai.E do dia 3 de junho, até ontem teve um aumento de 332 casos, justamente depois que o comércio abriu. EU SEI QUE EU E OS MEUS EDTAMOS EM CASA,.

  10. WASHINGTON AMBROSIO LEITE disse:

    Não liberar os ônibus é uma atitude discriminatória para com os mais pobres, já que os que tem carros nunca deixaram de se locomover até o comércio para atender as suas necessidades e os mais pobres estão usando transportes alternativos super lotados e pagando muito caro pra ir ao comércio fazer o mesmo. Portanto a ausência do transporte coletivo só sacrifica os mais pobres principalmente os moradores dos distritos e zona rural.

  11. Leandro Souza Bomfim disse:

    Ainda bem q a prefeitura de Ilhéus manteve suspenso o transporte coletivo. Desta maneira está ajudando a controlar o vovd 19 em nossa cidade. Mantenha se firme com decisão senhor prefeito Mário Alexandre.

  12. WELLINGTON BARCELOS FAGUNDES disse:

    Precisamos de ônibus sim,mais no momento não. O pessoal do Uber tá sendo prejudicado
    Alguém na Prefeitura tem vários TAXI e não deixam pegar passageiros pra zona Norte ou Sul
    Isso é falta.de amor pelo próximo.

  13. MARIA JOSE ARAUJO DA SILVA disse:

    Ilhéus está maltratando a população que mora distante do centro sem transporte sem ajuda a essas pessoas que estão nas mãos de mercenários cobrando $ 100 para ir no Assaí fazer compras essências, esse prefeito da minha parte já pode da adeus as propinas e roubos que ele é a equipe dele vem fazendo com nos que precisamos muitas das vezes comprar um remédio que custa $20 reais acaba saído por até $ 120 tá na hora do povo sair desse casulo maldito que o Sr. Mauro está nos colocando

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *