Cacau oscila em faixa estreita enquanto mercado ignora trégua parcial no Oriente Médio

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional do cacau segue operando em compasso de espera, mesmo diante de um cenário geopolítico ainda instável. A recente decisão do presidente Donald Trump de estender unilateralmente o cessar-fogo com o Irã não foi suficiente para provocar reações relevantes nos preços do petróleo, e tampouco trouxe impacto consistente para o cacau, refletindo a incerteza sobre a adesão efetiva das demais partes envolvidas no conflito.

Nesse ambiente de indefinição, o mercado de cacau permanece confinado a um intervalo técnico já bem estabelecido, entre US$ 3.000 e US$ 3.600 por tonelada. Nem mesmo a divulgação dos números de moagem do primeiro trimestre, amplamente aguardada pelos agentes. foi capaz de alterar essa dinâmica, reforçando a percepção de que, no momento, fatores de demanda seguem frágeis e insuficientes para impulsionar uma tendência mais clara.

Na sessão mais recente, o contrato julho, atualmente o mais líquido na Intercontinental Exchange, encerrou cotado a US$ 3.308, registrando queda de US$ 87 no dia. A movimentação ficou limitada entre a mínima de US$ 3.286 e a máxima de US$ 3.392, com volume moderado de 33.649 contratos negociados em 14.108 negócios. O interesse em aberto avançou em 1.096 posições, totalizando 194.833 contratos, sinalizando leve recomposição de posições no mercado.

Do lado fundamental, os estoques certificados nos portos norte-americanos monitorados pela ICE apresentaram recuo relevante de 8.646 sacas, atingindo 2.623.711 sacas. Ainda assim, a redução não foi suficiente para alterar o sentimento predominante de oferta confortável no curto prazo, especialmente diante do elevado nível de estoques globais e da postura cautelosa da indústria.

No campo técnico, o mercado segue neutro. O Índice de Força Relativa (RSI) do contrato julho está em 48%, indicando ausência de pressão direcional mais forte. As resistências permanecem concentradas na faixa entre US$ 3.550 e US$ 3.700, enquanto os suportes seguem bem definidos em US$ 3.200 e, mais abaixo, no nível psicológico de US$ 3.000.

Outro ponto de atenção para os próximos dias é o início do período de liquidação física do contrato de maio, previsto para esta sexta-feira. O movimento tende a trazer ajustes pontuais de posição, mas não há expectativa, por ora, de que esse fator isolado seja suficiente para romper o atual padrão de consolidação.

Fonte: mercadodocacau

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