Por: Claudemir Zafalon
A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a dominar o humor dos mercados globais nesta semana, trazendo volatilidade para diversas classes de ativos, incluindo o cacau. Mesmo após sinais iniciais de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, o cenário rapidamente se deteriorou com a continuidade do bloqueio do Estreito de Ormuz e novas apreensões de petroleiros, impulsionando o preço do Brent crude oil novamente acima dos US$ 100 por barril.
O movimento reacendeu preocupações inflacionárias e freou parcialmente o avanço das bolsas internacionais, que ainda assim chegaram a renovar máximas no início da semana. Em meio a esse ambiente, investidores seguem divididos entre o risco geopolítico e o custo de permanecer fora dos mercados, criando uma dinâmica onde a própria aversão ao risco pode se tornar um fator de pressão adicional sobre os preços.
No mercado de cacau, o reflexo foi de sustentação moderada dos preços. O contrato mais líquido com vencimento em julho encerrou o último pregão cotado a US$ 3.458 por tonelada, com alta de US$ 31. A sessão apresentou oscilação entre a mínima de US$ 3.353 e a máxima de US$ 3.477, em um dia de menor intensidade operacional, com 10.581 negócios e volume total de 19.695 contratos. O interesse em aberto registrou leve avanço de 596 contratos, atingindo 195.806, sinalizando manutenção do posicionamento por parte dos participantes.
No físico, os estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE) nos portos dos Estados Unidos voltaram a subir, com acréscimo de 3.635 sacas, totalizando 2.621.250 sacas. O aumento reforça a percepção de disponibilidade confortável no curto prazo, fator que segue limitando movimentos mais expressivos de alta.
Do ponto de vista técnico, o mercado permanece em zona neutra. O RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho está em 51,5%, indicando ausência de sobrecompra ou sobrevenda e reforçando o atual cenário de consolidação.
Outro destaque foi o início do processo de liquidação física do contrato de maio, que registrou entrega de 525 contratos. Entre os principais participantes, a Marex entregou 74 contratos, a Citi 67, a Socgen liderou com 304 e a Stonex contribuiu com 80. Do lado da demanda, a Socgen concentrou praticamente toda a absorção, com 524 contratos, enquanto o BNP recebeu apenas 1 contrato.
Tecnicamente, o contrato de julho encontra resistência na faixa entre US$ 3.600 e US$ 3.850, enquanto os suportes permanecem bem definidos nas regiões de US$ 3.200 e US$ 3.000. O mercado segue, portanto, em compasso de espera, monitorando tanto os desdobramentos geopolíticos quanto novos sinais de demanda, que continuam sendo o principal gatilho para movimentos mais consistentes de preço.
Fonte: mercadodocacau


