Por: Claudemir Zafalon
O mercado internacional do cacau voltou a operar sob pressão, com os contratos futuros se aproximando novamente das mínimas registradas desde o início de maio, refletindo uma combinação de fatores baixistas que seguem pesando sobre o sentimento dos investidores. A melhora nas perspectivas de produção na Costa do Marfim, maior produtora mundial, somada à persistente fragilidade da demanda global, reforça o viés de cautela no curto prazo.
O contrato julho do cacau na bolsa de Nova York encerrou o pregão de ontem cotado a US$ 3.767 por tonelada, com queda de US$ 122. Durante a sessão, o mercado oscilou entre a mínima de US$ 3.732 e a máxima de US$ 3.943, evidenciando mais um dia de forte volatilidade. Foram registrados 17.388 negócios, com volume total de 37.288 contratos. O interesse em aberto avançou em 1.831 contratos, alcançando 196.579, movimento que indica entrada de novas posições em um cenário de pressão vendedora.
No campo técnico, a incapacidade do mercado de superar a importante região de resistência próxima aos US$ 3.950, configurando um topo quádruplo, serviu como gatilho para uma nova rodada de vendas automáticas e realização de posições compradas. Esse comportamento reforça a percepção de que o mercado ainda encontra dificuldades para sustentar um movimento mais consistente de recuperação.
Outro fator relevante segue sendo o crescimento dos estoques certificados monitorados pela Intercontinental Exchange (ICE), que atingiram o maior nível em aproximadamente 1 ano e 9 meses. Ontem, houve incremento de 19.309 sacas, elevando o total para 2.692.616 sacas nos portos dos Estados Unidos. O avanço dos estoques é um indicativo claro de menor urgência compradora por parte da indústria, refletindo uma demanda ainda enfraquecida após o choque histórico de preços observado nos últimos meses.
Apesar da melhora na percepção de oferta, o cenário na Costa do Marfim segue longe da normalidade. O país enfrenta tensões internas com protestos de produtores que alegam não ter recebido pelos grãos comercializados durante a safra principal. O episódio expõe distorções no sistema comercial local e levanta questionamentos sobre a sustentabilidade financeira da cadeia produtiva no maior fornecedor global da commodity.
Do ponto de vista técnico, o RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho opera nesta manhã em 45,5%, sinalizando um mercado neutro a levemente pressionado, ainda distante de condições extremas de sobrevenda, o que sugere espaço para continuidade do movimento caso novos fatores baixistas persistam.
No câmbio, o contrato futuro do real com vencimento em junho, negociado a R$ 5,02 por dólar nesta manhã, segue no radar dos agentes brasileiros. Embora o Brasil tenha menor protagonismo exportador no mercado global de cacau em comparação à África Ocidental, a taxa de câmbio continua sendo referência importante para conversão dos preços internacionais e formação das bases no mercado doméstico.
Fonte: mercadodocacau


