Casal de produtores familiares é destaque no 6º Fórum Anual do Cacau

Rosana Leite e Gilson de Assunção, produtores de cacau do Quilombo Laranjeiras, em Igrapiúna (BA), roubaram a cena no último dia do Fórum Anual do Cacau, promovido pelo CocoaAction Brasil, em Ilhéus, de 20 a 21 de julho. Eles participaram do painel sobre “Manejo eficiente de Cabrucas e Sistemas Agroflorestais (SAFs)” e arrancaram aplausos da plateia com sua história de superação, que evidencia como a assistência técnica e a cooperação através do apoio de prefeituras, Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e iniciativas como o CocoaAction pode transformar a realidade de pequenos produtores no Brasil.

Por muitos anos, Gilson migrava para o Espírito Santo para trabalhar na colheita do café e trazer o sustento para família. “Meu objetivo era um só: guardava cada centavo para comprar um pedacinho de terra”, diz. Com disciplina, comprou um sítio de 3 hectares, em que planta cacau consorciado com seringueira, com cravo, e com guaraná e ainda cultiva milho, pimenta do reino, banana, laranja, tem uma horta e criação de frango de corte e galinhas poedeiras.

“Comecei a plantar cacau, mas não tinha experiência com o plantio”, conta. Nesta época, a família recebeu a visita de um primo, que estudava na Casa Familiar Rural, em que os alunos recebem formação técnica em agronegócio. “Ele perguntou por que eu não clonava a lavoura? Mas era muito caro, não tinha condições financeiras”, diz Gilson, que aprendeu a clonar com este primo. Quando o Cacau+ (programa vinculado ao Ciapra Baixo Sul, consórcio de 14 municípios do Sul da Bahia, que tem como meta elevar a produtividade do cacau) chegou na propriedade, a lavoura já tinha melhorado. “Mas o pessoal do Cacau+ nos capacitou em clonagem, em manejo do cacaueiro”, diz Rosana.

“A nossa maior dificuldade era comprar adubos. Às vezes, passava a hora de adubar, porque não tínhamos dinheiro”, conta Gilson. Com o programa, além da assistência técnica, a família ganha uma análise de solo por ano, 2 toneladas de calcário, 1 tonelada de gesso, 1 kit viveiro rústico e 500 mudas. “Nossa produtividade no cacau saltou de 37 arrobas/ha em 2020 para 100 arrobas/ha no ano passado”, diz Rosana, que é o braço direito do marido na lavoura.

“Nossa vida se divide em antes do Programa Cacau+ e depois”, diz Rosana, que aprendeu a manejar o casqueiro (as cascas que sobram da quebra do cacau) e transformá-lo em adubo não só para o cacaual, mas para outras culturas. Hoje a família fornece alimentos para projetos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) “Não precisamos mais trabalhar “para fora”. Hoje, trabalhamos e vivemos do que é nosso”, diz Rosana.

Segundo o IBGE, o Brasil tem hoje 93 mil produtores de cacau, sendo a grande maioria pequenos, com produtividade média de 20 arrobas/ha por ano. No entanto, Rosana e Gilson são a prova que a cacauicultura pode ser muito mais produtiva, gerar renda e qualidade de vida com práticas básicas como assistência técnica, análise de solo, correção e adubação de solo e manejo de poda.

Além disso, quando o produtor opta pelo sistema agroflorestal (SAF), ele incrementa suas fontes de renda. “É importante a diversificação, porque no momento em que o preço do cacau está baixo, a família tem outras culturas para complementar a renda e garantir a continuidade do processo”, diz Vitor Stella, do CocoaAction Brasil.

Por falar em continuidade, as filhas do casal vibravam na plateia, enquanto os pais compartilhavam a história da família. A primogênita já estuda na Casa Familiar Rural e a caçula, em breve, deve ingressar na escola, ajudando a aperfeiçoar a lavoura e garantindo a sucessão familiar.

 

 

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0 Comments

  1. Katu Tupinambá disse:

    bom dia, é preciso colocar lombadas largas, daquelas que colocaram no centro, que serve como faixa de pedestre e lombada. coloca em todos os locais que colocaram faixas. assim diminuiria a velocidade e não teria tanto roubo de multas.

  2. José Pinto Lapa disse:

    A cada 2 minutos $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
    Interessa a quem construir redutores de velocidade?. Redutores, não quebra molas.

  3. Marcel disse:

    Qual é o real limite de velocidade dessa pista? Tem várias placas de 40, 50 e 60km/h. Se decidirem qual vai ser a real velocidade, as infrações vão diminuir

  4. CORREIA disse:

    Infelizmente a tendência é o aumento do número de acidentes. Não sou nenhum especialista na área de trânsito, mas percebo falhas na obra, como por exemplo a ausência de quebras molas nas passagens dos pedestres, a retirada do contorno do Posto Roma, obrigando os condutores de veículos a circularem em uma única direção e com isso aumenta o fluxo de veículos.u

  5. PRISCILA GANDRA OTTONI disse:

    As faixas de pedrestes deveriam ser em elevados ou colocar semáforos e definir uma velocidade única. Dificil andar em uma pista com 3 velocidades diferentes. E não é preciso ser especialista para ver que a obra tem muitas falhas e falhas graves. Parece que o planejamento foi zero. E no final das contas que sai prejudicado é sempre a população. Do que adianta enaltecer uma obra cheia de erros graves?

  6. José Alberto Tavsres disse:

    Porque nessas faixas de pedestre não fizeram faixas elevadas para dá mas confiança aos pedestre e colocação antes das faixas com as pedestres em cima das elevadas colocar vibradores ondulados 100 metros antes e fiscalizar as motos que estão dando aquela robadinh nas faixas

  7. carlos disse:

    rodovia extremamente mal projetada, perigoso, com vias estreitas, sem acostamento, curvas terríveis em frente ao opaba, entradas e saídas da via em cima dos contornos. as placas de velocidades brincam de se alternar, sem nenhuma coerência e num curtíssimo espaço entre elas. parece que foi feita essencialmente para arrecadar com multas, mesmo!!!

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