Clima adverso na África e revisão de excedente impulsionam forte alta do cacau

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional de cacau registrou uma expressiva valorização no último pregão, refletindo uma combinação de fatores climáticos e estruturais que reacenderam preocupações com a oferta global. A irregularidade das chuvas na Costa do Marfim, principal produtor mundial, durante um período crítico do desenvolvimento da safra intermediária, elevou os riscos para a produtividade e a qualidade dos grãos nas fases finais da colheita.

O cenário climático adverso ocorre em um momento sensível, no qual o mercado já monitora outros vetores de risco. A escassez de fertilizantes em regiões produtoras e a crescente probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño adicionam incertezas relevantes para a safra 2026/27, reforçando a percepção de um ambiente mais apertado do lado da oferta.

Esse contexto foi parcialmente corroborado pela recente revisão da StoneX, que reduziu suas projeções de excedente global para as temporadas 2025/26 e 2026/27. O movimento indica uma mudança gradual na expectativa de equilíbrio do mercado, que até então vinha sendo pautada por uma visão mais confortável de disponibilidade no curto prazo.

No mercado futuro, o contrato de cacau com vencimento em julho encerrou o pregão em US$ 3.883 por tonelada, registrando forte alta de US$ 287 no dia. A sessão foi marcada por elevada volatilidade, com mínima de US$ 3.593 e máxima de US$ 3.940. O volume negociado somou 44.995 contratos, com 25.107 negócios realizados, enquanto o interesse em aberto avançou em 813 posições, totalizando 201.124 contratos, sinalizando entrada adicional de participantes no mercado.

Do lado dos estoques, os certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos apresentaram incremento de 8.946 sacas, alcançando 2.663.763. Apesar do aumento, o movimento não foi suficiente para conter o viés altista, diante das preocupações mais amplas com a produção global. No fluxo físico, não houve novas entregas no contrato vigente, mantendo o acumulado em 575 contratos liquidados.

Os indicadores técnicos também refletem o fortalecimento recente dos preços. O RSI (Índice de Força Relativa) do contrato julho atingiu 69%, aproximando-se da zona de sobrecompra e indicando um mercado mais esticado no curto prazo.

Na análise gráfica, o rompimento de importantes níveis de resistência reforça o momento positivo. O mercado já trabalha com novas zonas de resistência entre US$ 4.200 e US$ 4.400, enquanto os suportes mais próximos estão posicionados na faixa de US$ 3.600 a US$ 3.500.

No câmbio, o contrato futuro do real com vencimento em maio segue relativamente estável, negociado em torno de R$ 4,98 por dólar, fator que mantém neutralidade momentânea sobre a formação de preços no mercado doméstico.

Fonte: mercadodocacau

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