Alguns compradores internacionais de cacau de Gana iniciaram o adiantamento de parte dos mais de US$ 4 bilhões destinados à COCOBOD para financiar as compras da safra 2025/2026. Fontes ligadas ao setor confirmaram à que os desembolsos não ocorrerão de uma só vez, mas de forma parcelada ao longo dos próximos meses, com uma fatia expressiva prevista ainda antes do fim de 2025.
A iniciativa visa assegurar o comprometimento da COCOBOD com o fornecimento de grãos, reforçando a confiança no fluxo de exportações do país, em um momento de volatilidade nos mercados internacionais.
Desde 2023, a COCOBOD adotou um novo modelo de financiamento para compras de cacau. O sistema exige que traders globais depositem pelo menos 60% do valor de seus contratos a termo logo no início da temporada. Essa medida substituiu a tradicional linha de crédito sindicalizada, usada por mais de três décadas junto a bancos internacionais.
Parte desses depósitos é repassada a empresas compradoras de cacau licenciadas (LBCs), que realizam as compras diretamente dos agricultores, com o COCOBOD atuando como intermediário. O arranjo reforça a liquidez da cadeia e garante maior previsibilidade ao fluxo comercial.
Analistas destacam que, além de beneficiar diretamente os produtores, essas entradas financeiras podem fortalecer significativamente o cedi, a moeda local de Gana. Os recursos devem ampliar as reservas internacionais, que em julho somavam US$ 11,1 bilhões, segundo dados do Banco de Gana.
O governador do Banco de Gana, Dr. Johnson Asiama, afirmou em entrevista que o movimento sinaliza confiança e fortalece a posição do banco central para intervir quando necessário no mercado cambial.
“Tomamos as medidas necessárias para garantir que as coisas não saiam do controle. A situação macroeconômica de Gana permanece sólida, e isso deve dar confiança às empresas e investidores quanto às perspectivas do cedi”, declarou.
Além do adiantamento dos traders internacionais, a expectativa é de que parceiros de desenvolvimento também aportem recursos adicionais, reforçando ainda mais as reservas cambiais do país. Esse fluxo de capitais deve sustentar a liquidez do mercado, proteger a moeda contra pressões externas e assegurar as condições de compra da safra 2025/2026.
Fonte: mercadodocacau com informações myjoyonline


