A Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, ajustou sua estratégia comercial para a safra principal de 2025/26 e vendeu 1,3 milhão de toneladas de contratos antecipados, volume inferior ao registrado no ano passado, quando foram comercializadas 1,4 milhão de toneladas. A informação foi confirmada por duas fontes internas do Conselho do Café e do Cacau (CCC) à agência Reuters.
O recuo nas vendas ocorre em um momento em que o país enfrenta preocupações crescentes com a queda das colheitas, agravada por fatores climáticos, incidência elevada de doenças fúngicas e limitação de insumos nas fazendas. Essas condições têm pressionado o potencial produtivo e levado exportadores e autoridades a revisar suas expectativas para o ciclo 2025/26.
Segundo o CCC, as chegadas de amêndoas aos portos de Abidjan e San Pedro, principal termômetro da performance da safra, devem cair cerca de 30% entre janeiro e março de 2026, período crítico para o escoamento da colheita principal. Trata-se de uma das projeções mais baixas já comunicadas de forma preliminar pelo órgão marfinense.
Apesar do cenário desafiador, o Conselho reforça que não há risco de inadimplência nos contratos vendidos. De acordo com as fontes consultadas, a autarquia alinhou a comercialização antecipada a níveis considerados compatíveis com a disponibilidade física prevista, evitando comprometer volumes superiores aos que o país será capaz de entregar.
A estratégia busca evitar a repetição de episódios anteriores em que exportadores enfrentaram dificuldades de cumprimento, especialmente em anos marcados por adversidades agrícolas severas. Em 2025/26, o CCC parece ter adotado uma postura mais conservadora: vendeu menos, mas preservou a confiança do mercado e o fluxo de caixa necessário para custear a compra junto aos produtores.
O mercado internacional acompanha atentamente essas sinalizações. A queda nas vendas e a expectativa de oferta limitada reforçam a percepção de aperto estrutural no balanço global, em um momento em que a liquidez permanece sensível e os estoques nos países consumidores continuam historicamente baixos.
Para os agentes do setor, a comunicação do CCC funciona como mais um indício de que a recuperação plena da produção na África Ocidental, após anos de declínio, segue distante. E, enquanto isso, a volatilidade nos preços internacionais continua sendo o principal reflexo dessa combinação de incertezas.
Fonte: mercadodocacau


