O Conselho do Café e do Cacau (CCC), órgão regulador do setor na Costa do Marfim, adotou novas medidas para controlar a emissão de permissões de transporte de grãos rumo aos portos de Abidjan e San Pedro. O objetivo é claro: reduzir o forte congestionamento logístico observado no início da safra e garantir que os produtores recebam integralmente o preço mínimo estabelecido pelo governo.
Segundo o diretor-gerente do CCC, Kone, o acúmulo de caminhões nas fábricas dos exportadores durante outubro e novembro criou a falsa impressão de uma oferta abundante, o que levou compradores a desacelerar as compras e pressionar os preços pagos aos agricultores. Como resultado, o cacau chegou a ser comercializado a 2.500 francos CFA por quilo, abaixo do preço garantido de 2.800 francos CFA.
Para corrigir essa distorção, o regulador passou a limitar a emissão de permissões de transporte conforme a capacidade diária de descarga de cada fábrica. “Se uma unidade só puder descarregar 16 caminhões por dia, apenas 16 caminhões serão autorizados a transportar cacau em seu nome”, explicou Kone. A medida reduziu rapidamente o congestionamento portuário, destravou pagamentos atrasados e evitou que produtores fossem forçados a vender com grandes descontos.
Com dezembro marcado como o pico da produção, o CCC avalia que a intervenção foi decisiva para reequilibrar o mercado. Kone afirma que, desde a última semana de novembro, as condições já mostram melhora significativa, com fluxos de venda mais regulares e preços mais próximos do patamar oficial.
No entanto, apesar de uma temporada que segue dentro das previsões de chegada de grãos, o país enfrenta um problema mais profundo: a queda estrutural na produção. A estimativa atual para a safra principal 2025/26 é de apenas 1,3 milhão de toneladas, bem abaixo das 1,7 milhão de toneladas colhidas três anos atrás. O diretor do CCC alerta que o cenário não deve se reverter rapidamente. “São necessários investimentos substanciais para recuperar os níveis anteriores de produção, e isso levará anos”, destacou.
Mesmo com menor oferta, as vendas têm avançado dentro do esperado, mas o regulador reconhece que o setor enfrenta desafios relevantes para o longo prazo. A combinação de produtividade deprimida, envelhecimento de lavouras e vulnerabilidade climática mantém a Costa do Marfim, maior produtora mundial de cacau, em alerta, num momento em que o mercado global segue pressionado por oferta apertada e forte volatilidade de preços.
A intervenção do CCC mostra um esforço para proteger a renda dos produtores e garantir estabilidade interna, mas também evidencia a fragilidade de um sistema que depende cada vez mais de investimentos estruturais para garantir sustentabilidade e competitividade nos próximos anos.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


