Curso de extensão Tecnologias para Produção de Cacau chega à 3ª edição, com recorde de interesse

O Brasil tem aproximadamente 93 mil cacauicultores, sendo a maioria agricultores familiares concentrados na Bahia e Pará. Estes produtores sofrem por falta de assistência técnica, gargalo evidenciado no plano setorial Inova Cacau 2030, que propõe expandir o acesso dos produtores à assistência técnica como uma das estratégias para a cacauicultura brasileira se tornar cada vez mais eficiente, produtiva e sustentável. 

Foi neste contexto que o curso de extensão de Tecnologias para Produção de Cacau foi idealizado pelo CocoaAction Brasil, que financia este curso em parceria com o Centro de Inovação do Cacau (CIC) e a Universidade Estadual de Santa Cruz (ESC), com apoio da FAEB/SENAR. 

O curso, que acontece na UESC, é 100% presencial e gratuito, voltado para técnicos agrícolas, agrônomos e áreas afins. Sua duração é de cinco meses, com aulas práticas e teóricas. A carga horária é de 200 horas, divididas em cinco pilares: 

  • Módulo 1: Solo, fertilidade e adubação
  • Módulo 2: Genética e técnicas de propagação
  • Módulo 3: Manejo de campo, pragas e doenças
  • Módulo 4: Pós-Colheita: da fermentação ao armazenamento
  • Módulo 5: Gestão integrada da propriedade

 

“Este curso é um esforço para ampliar a capacitação de técnicos agrícolas e agrônomos e, principalmente, expandir o acesso dos produtores à assistência técnica qualificada e, assim, ajudá-los a aumentar a produtividade, e consequentemente, a renda da família”, diz Pedro Ronca, diretor do CocoaAction, iniciativa público-privada, da Fundação Mundial do Cacau (WCF), que trabalha pelo avanço da sustentabilidade da cacauicultura brasileira. 

“Inicialmente, fiquei apreensivo quanto ao interesse das pessoas por se tratar de um curso presencial longo. Contudo, já alcançamos 111 inscritos que participaram e/ou estão participando ativamente dos treinamentos, o que evidencia uma ótima receptividade”, diz Ronan Xavier Corrêa, professor pleno da UESC de Genética Vegetal e coordenador do curso.

De fato, o curso é um sucesso: com maior número de inscrições do que vagas disponíveis. Jailson Grillo, técnico em agropecuária, participou da 2ª turma. Produtor de cacau e consultor para diversas associações de produtores, ele ressalta o alto nível das aulas e a vivência prática proporcionada pelo curso. “Foi a maior experiência formativa que vivi, um aprendizado que mudou minha visão e fortaleceu meu compromisso com o setor cacaueiro, sobretudo com o cacau fino”, diz.

Pedro Alipio Silva também cursou a 2ª turma. Depois de 33 anos na área de Tecnologia da Informação, ele fez curso técnico agrícola e se dedica à agricultura. “O curso foi extremamente enriquecedor. Além de ampliar meus conhecimentos, pude trocar informações e vivências com os colegas, o que tornou o aprendizado ainda mais valioso. Destaco o excelente trabalho dos técnicos do SENAR, sempre disponíveis, atenciosos e comprometidos”, diz Silva. Com os conhecimentos adquiridos, ele pretende iniciar o cultivo de cacau em sua propriedade, em Andaraí (BA), na Chapada da Diamantina.

O público feminino também marcou presença nas três turmas do curso. Segundo Corrêa, 30% dos alunos eram mulheres. A técnica em agroecologia Edmile da Silva Farias é uma delas. De acordo com a profissional, ““o curso foi um verdadeiro divisor de águas na minha carreira, ao oferecer uma base técnica sólida e atualizada, alinhada às demandas reais do mercado cacaueiro”.

Ela destacou o equilíbrio entre teoria e prática. “Todos os módulos foram surpreendentes. O foco em manejo sustentável e as estratégias de pós-colheita abriram minha visão sobre a produção de cacau fino para agregar valor ao produto final”, diz a técnica do programa Cacau+ do Ciapra, que também presta serviços para a Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (COOPESSBA), numa chamada específica para mulheres.

 

Feedback

O coordenador do curso complementa: “Os participantes têm destacado que os professores e técnicos que ministram as aulas são muito preparados. De fato, quando selecionamos esses profissionais, levamos em conta sua trajetória na geração de conhecimentos científicos e tecnológicos, bem como a experiência técnica com cacauicultura”. Um desses professores é o engenheiro agrônomo Silvino Kruschewsky, da SKAgro Consultoria. “Na minha matéria, o que mais desperta o interesse dos alunos é como identificar novas pragas e doenças, como a monilíase”, diz o professor do Módulo 3, de manejo de campo, pragas e doenças.

Totalmente gratuito, o curso acaba de iniciar a 3ª turma. Os interessados em participar da próxima edição devem ficar atentos ao edital (que deve sair entre maio e junho 2026), fazer as inscrições e aguardar o retorno quanto ao processo seletivo. Há sempre 40 vagas disponíveis. É importante ressaltar que a UESC não trabalha com lista de espera. “Aqueles classificados como excedentes, só serão chamados em caso de desistência de alguém da turma. Posteriormente, os que permanecem como excedentes devem se candidatar de novo nos próximos editais”.

 

Para saber mais, siga:

@cacautec.uesc

@cocoaactionbrasil

 

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