El Niño volta ao radar e mercado de cacau busca direção após forte recuperação

Por: Claudemir Zafalon

As atenções do mercado global de commodities voltam a se concentrar nas previsões climáticas para o segundo semestre de 2026. Modelos meteorológicos internacionais apontam uma probabilidade cada vez maior de formação de um forte fenômeno El Niño, cenário que pode provocar temperaturas mais elevadas, irregularidade nas chuvas e impactos relevantes sobre a produção agrícola em diversas regiões tropicais do planeta.

Para o mercado de cacau, a perspectiva climática ganha importância justamente em um momento de recuperação dos preços. Após semanas marcadas por intensa cobertura de posições vendidas por parte dos fundos de investimento, as cotações avançaram de forma significativa e encontraram resistência técnica próxima à faixa dos US$ 4.400 por tonelada.

Com o movimento de alta perdendo força, analistas observam a possibilidade de uma correção técnica de curto prazo. Um dos pontos monitorados pelos participantes do mercado é o fechamento do chamado “gap” deixado entre US$ 3.942 e US$ 3.954 por tonelada, região que pode servir como referência para ajustes antes de uma definição mais clara da tendência dos preços.

No pregão de ontem, o contrato setembro de 2026, atualmente o mais líquido da bolsa de Nova York, encerrou cotado a US$ 4.237 por tonelada, registrando alta discreta de apenas US$ 3. Durante a sessão, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 4.193 e a máxima de US$ 4.395.

O volume de negociações permaneceu elevado, com 22.548 operações e movimentação total de 44.590 contratos. Apesar disso, o interesse aberto estimado recuou em aproximadamente 2.500 contratos, totalizando 190.518 posições. A redução sugere que parte dos investidores aproveitou a recente valorização para realizar lucros e reduzir exposição ao mercado.

Outro fator acompanhado de perto continua sendo a evolução dos estoques certificados da Intercontinental Exchange (ICE). Os armazéns monitorados nos portos dos Estados Unidos registraram aumento de 5.913 sacas, elevando o volume disponível para 2.918.736 sacas. O crescimento dos estoques segue sendo um elemento de pressão para o mercado, reforçando a percepção de maior disponibilidade física no curto prazo.

No cenário cambial, o contrato futuro do real negociado em Chicago apresentou enfraquecimento, enquanto o dólar voltou a operar na faixa de R$ 5,14. Para o mercado brasileiro, a valorização da moeda norte-americana tende a oferecer sustentação aos preços internos do cacau, compensando parcialmente eventuais movimentos de baixa observados na bolsa internacional.

Fonte: mercadodocacau

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