Empresas globais criticam atraso da UE em lei antidesmatamento e alertam para riscos às florestas

Grandes companhias agroalimentares, como Nestlé, Ferrero e Olam Agri, divulgaram um alerta conjunto sobre os impactos negativos que o novo adiamento da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) pode causar às florestas em todo o mundo. Segundo as empresas, a decisão da Comissão Europeia de postergar novamente a entrada em vigor da norma coloca em risco o progresso ambiental e mina a credibilidade regulatória do bloco.

Prevista para entrar em vigor em 30 de dezembro de 2025, a EUDR exigirá que exportadores de cacau, café, soja, carne bovina, óleo de palma, borracha e madeira que vendem para a União Europeia comprovem que seus produtos não estão associados a desmatamento.
No entanto, a UE propôs um novo adiamento, alegando falhas na preparação dos sistemas tecnológicos necessários para monitorar a rastreabilidade das cadeias produtivas — o que pode empurrar a implementação para 2026.

O comunicado conjunto das empresas, datado de 2 de outubro e endereçado à Comissária Jessika Roswall, destaca que o atraso ameaça a preservação florestal e aumenta a incerteza regulatória para companhias que já vêm investindo pesadamente em conformidade.

“Continuamos no caminho certo para alcançar o cumprimento integral das obrigações da EUDR até 31 de dezembro de 2025”, afirmaram. “O atraso proposto coloca em risco a preservação das florestas em todo o mundo, acelerará os impactos das mudanças climáticas e mina a confiança nos compromissos regulatórios da Europa.”

As signatárias — que operam em setores como cacau, laticínios, borracha e madeira — reforçaram que regras claras e previsíveis são fundamentais para a competitividade europeia e para o planejamento de longo prazo das cadeias globais.
Elas criticaram a possibilidade de ajustes de última hora na regulamentação, alertando que tais mudanças “introduziriam incerteza, incomodariam os acionistas e arriscariam diluir as exigências ambientais”.

O vice-presidente de assuntos institucionais do Grupo Ferrero, Francesco Tramontin, declarou que o avanço da transparência nas cadeias de suprimentos é essencial para reduzir riscos socioambientais e garantir a origem responsável das matérias-primas.

A EUDR vem enfrentando resistência tanto de grandes exportadores agrícolas, como Brasil, Indonésia e Malásia, quanto de parceiros estratégicos da UE, como os Estados Unidos. Ainda assim, a Comissária Roswall afirmou que o novo adiamento “não está relacionado a pressões externas”, mas sim à necessidade técnica de ajuste do sistema digital que suportará o controle das importações.

Mesmo assim, analistas consideram que o prolongamento da incerteza regulatória pode enfraquecer o papel da União Europeia como líder global nas políticas ambientais e gerar uma corrida de desmatamento em países produtores, diante da percepção de fiscalização adiada.

No caso específico do cacau, o impacto é particularmente sensível. A rastreabilidade exigida pela EUDR vem sendo vista como um divisor de águas para os grandes compradores europeus, que dependem fortemente de grãos vindos da África Ocidental e da América do Sul.
Empresas como Nestlé e Ferrero já vinham estruturando sistemas de monitoramento geoespacial e certificação de origem, e temem que o atraso reduza o ritmo dessas transformações.

Enquanto a indústria pede previsibilidade, organizações ambientais alertam que cada ano de adiamento representa milhares de hectares de floresta em risco, em regiões onde o avanço da fronteira agrícola continua acelerado.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *