Entenda o que é o 'cacau alucinógeno', consumido por jovens em uma festa no Rio que viralizou nas redes

Você já ouviu falar da cerimônia do cacau? Recentemente, o vídeo de uma festa realizada no Alto da Boa Vista, no Rio, regada a “cacau puro” e um set de músicas xamânicas, viralizou nas redes socais. A publicação, que teve mais de seis milhões de visualizações numa rede social, despertou a curiosidade de muita gente. Teve até famoso que pensou se tratar de uma encenação. Mas na realidade, a cerimônia, tradicional da cultura de povos milenares, das Américas Central e do Sul, vem ganhando adeptos em pleno 2023.

O que é o cacau alucinógeno?
 
Nas redes sociais, é possível encontrar terapeutas holísticos que oferecem curso sobre “A arte de tomar cacau puro”‘. Segundo eles, a utilização regular de cacau puro tem dois objetivos: ajudar a eliminar toxinas do corpo e auxiliar no processo de autoconhecimento.
 

Qual é o efeito da bebida a base de cacau no corpo humano?
 
Nos rituais em que a bebida é servida, as pessoas são convidadas a entrar em um estado meditativo após ingerir o líquido. Rica em teobromina, a substância química, “prima” da cafeína, atua diretamente no sistema nervoso central, provocando uma sensação de calmaria. Diferentemente da cafeína, que é um estimulante, a teobromina causa um efeito relaxante, melhora o humor e aumenta a vasodilatação.
— Numa mesma plantação de cacau você pode ter frutos com mais ou menos teobromina, assim como podem variar as concentrações de cafeína de um para o outro. Vai depender do modo de produção e desenvolvimento do fruto — explica o professor de química Alisson Sant’ Ana Rodrigues. 

O que acontece se tomar o ‘cacau alucinógeno’ em excesso?
 
Em adultos saudáveis, os efeitos do consumo dessa substância podem durar até sete horas no organismo. Se ingerido em excesso, em torno de 25 a 30 miligramas por quilo, pode causar náusea, dor de cabeça e tremores. Mas a substância não é capaz de provocar alucinações, segundo Sant’ Ana.

Foi tentando descobrir a real concentração de cacau presente no chocolate industrial que o professor de química descobriu a teobromina. A partir dessa descoberta, Sant’ Ana decidiu investigar os níveis de concentração da substância presentes no chocolate. A pesquisa foi tema do trabalho de conclusão de curso de graduação em Licenciatura em Química apresentado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no ano passado.

Da família dos alcaloides, responsável por dar o gosto amargo ao cacau, a substância é normalmente encontrada no fruto theobroma cacao, o cacau. Por isso, está presente no chocolate, o alimento mais consumido do mundo que, por seu fácil acesso para o consumidor, acaba sendo a principal fonte de teobromina.

O professor explica que ainda há poucos estudos científicos no Brasil e no exterior sobre os efeitos da teobromina no organismo humano, mas já se sabe que a substância age no cérebro bloqueando os receptores de adenosina, deixando a pessoa mais alerta e, ao mesmo tempo, mais calma. Ao contrário da cafeína, que é estimulante.

Sant’ Ana, que até hoje não experimentou a bebida feita a base de cacau, destaca que o ritual é milenar e fazia parte da cultura de civilizações mesoamericanas que, por volta de 1900 antes de Cristo, cultivavam e preparavam as sementes de cacau. A bebida era utilizada em cerimônias religiosas e eventos da realeza. E já, naquela época, apesar do amargor, era considerada revigorante.
 

— Estas civilizações acreditavam que o cacau era um alimento sagrado dado aos humanos pelos deuses — conta. — Tenho curiosidade para saber o que eu sentiria. Seria até interessante para tentar relacionar a minha pesquisa aos efeitos provocados pela bebida.

Fonte:O globo

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