Excesso de chuvas na Costa do Marfim acende alerta para doenças e qualidade do cacau

As condições climáticas na Costa do Marfim voltaram a chamar a atenção do mercado internacional de cacau. Chuvas acima da média e a persistência de dias nublados em grande parte das principais regiões produtoras do país estão elevando as preocupações dos agricultores com possíveis enchentes, aumento da incidência de doenças e impactos na qualidade das amêndoas durante a reta final da safra intermediária, que se estende de março a agosto.

Maior produtor mundial de cacau, a Costa do Marfim atravessa atualmente sua estação chuvosa, período que normalmente ocorre entre abril e meados de novembro. Embora as precipitações sejam fundamentais para o desenvolvimento das lavouras, o excesso de umidade pode representar riscos importantes para a produtividade e para a qualidade do produto colhido.

Produtores de diversas regiões relataram que as chuvas da última semana foram intensas e frequentes. Em Abengourou, no leste do país, foram registrados 74,3 milímetros de chuva, volume 11 milímetros superior à média dos últimos cinco anos para o período. Agricultores da região afirmam que a continuidade desse padrão pode provocar alagamentos em áreas de cultivo e comprometer o encerramento da safra intermediária.

Além das preocupações com enchentes, o excesso de umidade também favorece o surgimento de doenças fúngicas e o aumento da presença de insetos nas lavouras. Nas regiões de Agboville, Divo e Soubre, produtores relataram que o tempo excessivamente nublado e a baixa incidência solar estão criando condições ideais para o desenvolvimento de problemas fitossanitários, justamente em um momento importante para a formação e maturação dos frutos.

Nas regiões centrais de Daloa, Bongouanou e Yamoussoukro, onde os índices pluviométricos também ficaram significativamente acima da média histórica, os agricultores destacaram a necessidade de períodos mais prolongados de sol para garantir o bom desenvolvimento da fase final da safra intermediária. Segundo relatos de campo, ainda há um volume considerável de frutos nas árvores, mas a falta de luminosidade pode limitar o potencial produtivo das plantas.

Outro fator que preocupa o setor é a qualidade das amêndoas que estão chegando ao mercado. Compradores têm relatado níveis elevados de umidade nos lotes comercializados, consequência direta da dificuldade de secagem causada pelo clima instável. Esse cenário pode afetar os padrões de qualidade exigidos pela indústria e gerar descontos na comercialização de parte da produção.

Ao mesmo tempo em que acompanham o encerramento da safra intermediária, os agricultores começam a direcionar suas atenções para a próxima safra principal, que terá início em setembro. O desenvolvimento das floradas e dos frutos que formarão a nova colheita passará a ser monitorado com maior intensidade a partir de julho, período considerado decisivo para as perspectivas de produção da temporada 2026/27.

Para o mercado internacional, o comportamento climático na África Ocidental continua sendo um dos principais fatores de influência sobre os preços do cacau. A Costa do Marfim e a vizinha Gana respondem juntas por cerca de 60% da produção mundial, o que torna qualquer alteração significativa nas condições climáticas da região um elemento de grande relevância para produtores, indústrias e investidores.

Embora as chuvas tenham contribuído para manter os níveis de umidade do solo adequados após períodos de irregularidade climática observados anteriormente, o excesso de precipitação e a baixa incidência solar passam agora a representar um novo desafio para os produtores marfinenses. O mercado seguirá atento à evolução das condições meteorológicas nas próximas semanas, especialmente diante da proximidade da reta final da safra intermediária e do início do desenvolvimento da próxima grande colheita do país.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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