Gana busca dividir custos da sustentabilidade enquanto mercado do cacau tenta consolidar suporte acima de US$ 4 mil

Por: Claudemir Zafalon

O mercado internacional do cacau segue em um ambiente de forte volatilidade, ao mesmo tempo em que surgem novos sinais de transformação estrutural na cadeia global de produção. Fontes ligadas ao setor indicam que Gana, segundo maior produtor mundial de cacau, pretende solicitar que compradores globais e grandes indústrias passem a investir diretamente nas fazendas africanas, diante do crescente peso financeiro necessário para manter uma produção considerada economicamente viável e sustentável.

A movimentação ocorre em um momento delicado para os países produtores da África Ocidental, que enfrentam elevados custos de financiamento, desafios climáticos, envelhecimento das lavouras e necessidade crescente de adequação às exigências ambientais e de rastreabilidade impostas pelos mercados consumidores, especialmente pela União Europeia.

A proposta sinaliza uma possível mudança no modelo tradicional da cadeia do cacau, onde historicamente os custos de sustentabilidade, renovação de lavouras e assistência aos produtores recaem majoritariamente sobre os governos locais e cooperativas. Agora, Gana busca ampliar a participação financeira das grandes tradings e indústrias chocolateiras internacionais dentro das origens produtoras.

Enquanto isso, o mercado futuro tenta encontrar estabilidade após a expressiva recuperação registrada nas duas últimas sessões. O contrato julho do cacau na bolsa de Nova York recuou ontem e encerrou o pregão cotado a US$ 4.140 por tonelada, com queda de US$ 29. Durante o dia, os preços oscilaram entre a mínima de US$ 4.103 e a máxima de US$ 4.334.

Apesar do movimento corretivo, o mercado segue tentando consolidar suporte técnico acima da importante região dos US$ 4 mil por tonelada, patamar que vem sendo observado atentamente pelos operadores após meses de intensa pressão baixista provocada pela retração da demanda global e pelo aumento dos estoques.

O volume negociado voltou a permanecer elevado, refletindo a continuidade da volatilidade e da atuação especulativa dos fundos. Foram registrados 20.159 negócios, com volume total de 56.195 contratos. O interesse em aberto permaneceu praticamente estável em 202.621 contratos, sinalizando equilíbrio momentâneo entre compradores e vendedores.

Outro fator que continua pressionando o mercado é o avanço dos estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos. Os estoques cresceram mais 33.726 sacas e atingiram 2.779.103, o maior nível em dois anos. O aumento reforça a percepção de que o mercado global segue relativamente abastecido no curto prazo, especialmente diante da desaceleração no consumo mundial de derivados de cacau.

O RSI, Índice Relativo de Força do contrato julho, também perdeu força após a recente recuperação e opera nesta manhã em 51,5%, indicando um mercado tecnicamente mais neutro após sair de regiões de sobrevenda nas últimas semanas.

No mercado cambial, o contrato futuro do real com vencimento em junho segue negociado próximo de R$ 5,06 por dólar. Para o mercado brasileiro, o comportamento do câmbio continua sendo peça importante na formação dos preços internos, especialmente em um ambiente de deságios aplicados pelas indústrias sobre a bolsa de Nova York.

Fonte: mercadodocacau

Curtiu esse post? Compartilhe com os amigos!

Facebook
Twitter
LinkedIn
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *