Gana obteve uma significativa vitória comercial após o anúncio de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou a tarifa de 15% que incidia sobre o cacau ganês e uma ampla gama de produtos agrícolas. A medida, formalizada por uma nova Ordem Executiva assinada em 13 de novembro de 2025, representa um alívio imediato para os exportadores e um reforço substancial para as receitas externas do país.
O ministro das Relações Exteriores de Gana, Samuel Okudzeto Ablakwa, confirmou a notícia em uma declaração publicada em sua página oficial, destacando o peso estratégico da decisão:
“Gana saúda esse desenvolvimento positivo dos Estados Unidos, que continuam sendo o maior importador mundial de produtos de chocolate e cacau”, afirmou o chanceler, celebrando o gesto como um marco para a economia nacional e para a relação bilateral.
Com as exportações anuais de cacau para os EUA girando em torno de 78.000 toneladas, e com o preço global à vista atualmente próximo de US$ 5.300/ton, a revogação da tarifa deve proporcionar cerca de US$ 60 milhões (GHS 667 milhões) em receita adicional anual para os ganeses.
O alcance da decisão vai além do cacau, abrangendo uma cesta diversificada de produtos agrícolas, como: Castanha de caju; abacate; banana e banana-da-terra; manga; aranja e limão; abacaxi; goiaba; coco; gengibre; diversas pimentas.
A remoção da tarifa torna esses produtos mais competitivos no mercado norte-americano e reforça a capacidade de expansão das exportações do setor agrícola de Gana.
A reversão tarifária ocorre após meses de negociações delicadas entre Accra e Washington, marcadas por acordos envolvendo políticas migratórias, prioridade central do governo Trump.
Em setembro, os EUA suspenderam as restrições de visto impostas a Gana em julho de 2025, restaurando a elegibilidade para vistos de entrada múltipla válidos por cinco anos para cidadãos ganeses.
Isso só foi possível após um novo acordo entre os países que autoriza os EUA a deportarem determinados migrantes para Gana ou para destinos terceiros aprovados.
Com esse gesto, Gana se uniu a um seleto grupo de nações africanas, incluindo Eswatini, Ruanda e Uganda, que aceitaram colaborar com os mecanismos migratórios propostos pelo governo norte-americano, em contraste com outros países, como a Nigéria, que rejeitaram tais acordos.
A remoção da tarifa, portanto, é amplamente interpretada como um dividendo diplomático: um sinal de que a cooperação de Gana em temas sensíveis está sendo recompensada.
Para Gana, a decisão chega em uma fase crucial. Com a economia pressionada por condições financeiras globais mais rígidas e por desafios internos no setor do cacau, a receita adicional representa um alívio e uma oportunidade de fortalecer a cadeia produtiva.
Para os Estados Unidos, especialistas avaliam a medida como parte de uma estratégia geopolítica mais ampla: fortalecer relações com parceiros estáveis na África Ocidental num momento em que a competição por influência no continente se intensifica envolvendo China, Europa e outros atores globais.
A retirada da tarifa de 15% não é apenas uma vitória comercial para Gana, mas o reflexo de uma reaproximação diplomática com forte impacto econômico imediato e potencial estratégico duradouro.
O movimento reforça a importância do cacau ganês no mercado global e abre espaço para uma nova fase nas relações entre Accra e Washington, construída sobre pragmatismo, alinhamento diplomático e interesses compartilhados.
Fonte: mercadodocacau


