Gana e Costa do Marfim reforçam aliança e alinham calendário da safra de cacau 2026/27

Os governos de Gana e Costa do Marfim deram mais um passo na coordenação de suas políticas para o setor cacaueiro ao confirmarem que a temporada 2026/27 terá início em 1º de setembro de 2026 e será encerrada em 31 de agosto de 2027. O anúncio foi feito pelo presidente de Gana, John Dramani Mahama, após encontro com o presidente marfinense, Alassane Ouattara, em Abidjan.

A decisão reforça a estratégia conjunta dos dois maiores produtores mundiais de cacau, responsáveis por aproximadamente 60% da oferta global da commodity. Nos últimos anos, os países vêm intensificando a cooperação com o objetivo de fortalecer o poder de negociação dos produtores africanos e reduzir distorções no mercado internacional.

Além do alinhamento do calendário da safra, os governos também sinalizaram avanços na harmonização dos preços mínimos garantidos pagos aos agricultores. Tradicionalmente anunciados no início de cada temporada, esses preços exercem influência direta sobre a renda dos produtores e sobre a dinâmica de comercialização do cacau na África Ocidental.

Durante o encontro, Mahama destacou que a relação entre os dois países deve ser pautada pela cooperação e não pela competição.

“Somos parceiros, não adversários ou concorrentes no setor do cacau. Essa colaboração precisa ser fortalecida e nos permitir beneficiar nossos produtores”, afirmou o presidente ganês.

A iniciativa é acompanhada de perto pelos participantes do mercado internacional, uma vez que qualquer alinhamento entre Gana e Costa do Marfim pode influenciar a formação dos diferenciais de origem, a disponibilidade de oferta e as estratégias de comercialização ao longo da temporada.

No início deste ano, a Costa do Marfim já havia demonstrado disposição para adotar medidas coordenadas ao antecipar o início da safra intermediária de 2026 para 1º de março, um mês antes do calendário tradicional. A medida buscou acelerar a comercialização dos estoques remanescentes da safra principal e melhorar o fluxo de vendas do país.

Para analistas do setor, o fortalecimento da parceria entre os dois gigantes do cacau sinaliza uma tentativa crescente de ampliar a estabilidade da cadeia produtiva e garantir maior previsibilidade aos produtores, em um momento em que o mercado global continua atento aos desafios climáticos, à volatilidade dos preços e às perspectivas de oferta para os próximos anos.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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