Gana mantém preço do cacau ao produtor apesar da queda das cotações internacionais

Enquanto os preços internacionais do cacau seguem pressionados pela expectativa de recuperação da oferta global e pelo aumento dos estoques certificados, o governo de Gana decidiu manter inalterado o preço pago aos produtores locais. A medida busca preservar a renda dos agricultores e garantir maior estabilidade para um dos setores mais importantes da economia do país.

A decisão foi defendida por Jerome Sam, chefe de Assuntos Públicos do Conselho de Cacau de Gana (COCOBOD), que destacou a preocupação do governo com os impactos da volatilidade do mercado internacional sobre os produtores rurais.

Segundo Sam, o modelo adotado por Gana difere significativamente do sistema utilizado na Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau. Enquanto os marfinenses ajustam os preços internos sempre que ocorrem mudanças relevantes nas cotações globais, Gana tradicionalmente estabelece um preço no início da safra e procura mantê-lo durante todo o ciclo produtivo.

De acordo com o dirigente, essa política oferece previsibilidade aos agricultores e reduz os riscos associados às oscilações frequentes do mercado internacional. Ele lembrou que, em condições normais, os preços anunciados no início da temporada permanecem válidos até o encerramento da safra.

No entanto, o cenário excepcional vivido pelo setor nos últimos dois anos obrigou o governo ganês a realizar uma revisão extraordinária dos preços durante a temporada. A forte valorização do cacau registrada em 2024 e o aumento do contrabando de amêndoas para países vizinhos levaram as autoridades a reajustar os valores pagos aos produtores em fevereiro deste ano.

Mesmo diante da recente queda das cotações nas bolsas internacionais, o governo optou por não reduzir os preços internos. Segundo Jerome Sam, caso o país seguisse estritamente os movimentos do mercado global, os agricultores sofreriam uma nova redução em sua renda, agravando as dificuldades enfrentadas pelo setor.

“Os produtores já foram impactados e precisamos garantir que os preços permaneçam estáveis até o final da temporada”, afirmou.

A decisão ocorre em um momento delicado para a cadeia global do cacau. Após a escalada histórica dos preços observada em 2024 e no início de 2025, o mercado passou a precificar perspectivas mais favoráveis para a produção africana. Esse movimento provocou uma correção nas bolsas, mas os custos de produção e as dificuldades enfrentadas pelos agricultores continuam elevados em diversas regiões produtoras.

Para especialistas, a postura de Gana evidencia um esforço para fortalecer a sustentabilidade econômica da produção de cacau, reduzindo a exposição dos produtores às oscilações de curto prazo do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, a estratégia aumenta a pressão sobre as finanças do COCOBOD, que precisa equilibrar a remuneração dos agricultores com a realidade das exportações e das receitas do setor.

A manutenção dos preços também reforça a importância do cacau para a economia ganesa. O produto é uma das principais fontes de divisas do país e sustenta milhões de empregos diretos e indiretos, desempenhando papel fundamental na renda das comunidades rurais.

Enquanto a Costa do Marfim adota uma política mais alinhada às variações do mercado internacional, Gana aposta na estabilidade como ferramenta para proteger seus agricultores. O resultado dessa estratégia poderá influenciar futuras decisões de política agrícola em outros países produtores, especialmente em um período marcado por elevada volatilidade e incertezas para o setor cacaueiro mundial.

Fonte: mercadodocacau

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