Impasse no Oriente Médio reacende tensão global e leva cacau novamente às máximas de três meses

Por: Claudemir Zafalon

A escalada das tensões no Oriente Médio voltou a provocar forte reação nos mercados globais de commodities e impulsionou novamente os preços do cacau nesta segunda-feira. O impasse envolvendo Irã e Estados Unidos, que já se estende por 11 semanas, ampliou a aversão ao risco nos mercados financeiros e reacendeu preocupações com os custos logísticos e energéticos da cadeia global de alimentos.

O movimento ocorre após o Irã classificar como “totalmente inaceitável” a mais recente proposta apresentada pelos Estados Unidos, reduzindo as expectativas de um acordo no curto prazo. O cenário elevou a pressão sobre commodities agrícolas e energéticas, especialmente diante dos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo e fertilizantes.

No mercado do cacau, os contratos futuros voltaram a registrar forte volatilidade. O contrato julho, que na sexta-feira chegou a operar abaixo de US$ 4.200 por tonelada, permanece próximo das máximas de três meses, sustentado principalmente pela redução das posições vendidas dos fundos e por fundamentos considerados ainda altistas.

Além do fator geopolítico, persistem preocupações com o clima na África Ocidental. As chuvas seguem irregulares em importantes regiões produtoras da Costa do Marfim e de Gana, enquanto o mercado monitora com atenção o risco de retorno do fenômeno El Niño nos próximos meses. A combinação entre instabilidade climática e custos crescentes de produção mantém elevada a percepção de risco para a oferta global de cacau.

As tensões no Oriente Médio também vêm pressionando os custos de energia, transporte marítimo e fertilizantes, fatores que impactam diretamente a estrutura de custos da cadeia agrícola global. O aumento das despesas logísticas preocupa principalmente países produtores africanos, que já enfrentam desafios financeiros e estruturais.

Em Gana, segundo maior produtor mundial de cacau, o governo pretende captar cerca de US$ 1 bilhão por meio de títulos domésticos para financiar as compras da safra 2026/27 e tentar reorganizar o setor diante das atuais dificuldades fiscais. O mercado acompanha o movimento como mais um indicativo das fragilidades financeiras enfrentadas pela cadeia produtiva africana após a forte volatilidade dos últimos anos.

Na sexta-feira, o contrato julho encerrou o pregão em US$ 4.182 por tonelada, com queda de US$ 245 no dia. A oscilação ficou entre a mínima de US$ 4.112 e a máxima de US$ 4.523. O número de negócios somou 28.484 operações, com volume total de 58.202 contratos. O interesse em aberto estimado apresentou queda de 1.498 contratos, totalizando 193.912 contratos em aberto.

Os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos recuaram 2.340 sacas, para 2.666.208 sacas. Já o relatório do CFTC apontou que, entre os dias 28 de abril e 5 de maio, os fundos aumentaram suas posições líquidas vendidas em 3.049 contratos, passando para uma posição líquida vendida de 16.836 contratos.

O mercado também segue acompanhando o encerramento das liquidações físicas referentes ao contrato maio, cujo acumulado soma 575 contratos, com encerramento previsto para quarta-feira, 13 de maio.

Do ponto de vista técnico, o RSI do contrato julho opera em 72%, indicando mercado próximo de região de sobrecompra. As principais resistências estão localizadas em US$ 4.550 e US$ 4.723 por tonelada, enquanto os suportes aparecem em US$ 3.800 e US$ 3.500.

No câmbio, o contrato futuro do real com vencimento em junho segue relativamente estável nesta manhã, negociado próximo de R$ 4,93 por dólar, movimento que limita oscilações mais intensas nos preços internos do cacau brasileiro.

Fonte: mercadodocacau

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