A inflação ao consumidor em Gana voltou a registrar alta em abril, interrompendo uma sequência de desaceleração observada desde dezembro de 2024. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo serviço oficial de estatísticas do país, a inflação anual avançou para 3,4%, ante 3,2% registrados em março.
De acordo com o estatístico do governo, Alhassan Iddrisu, o movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento nos custos de serviços como transporte, educação, restaurantes e hospedagem. Apesar da elevação, o governo avalia que a inflação ainda permanece relativamente controlada no contexto atual da economia ganesa.
“A inflação segue desacelerada de forma geral, mas começamos a observar um leve movimento de alta”, afirmou Iddrisu.
O comportamento da inflação em Gana é acompanhado de perto pelo mercado global de commodities, especialmente pelo setor do cacau, já que o país é o segundo maior produtor mundial da amêndoa e um dos principais fornecedores da indústria internacional de chocolate.
Segundo o governo ganês, os preços dos alimentos apresentaram comportamento mais moderado em abril quando comparados ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, autoridades reconhecem que choques globais e perturbações regionais começam novamente a pressionar os custos de combustíveis e alimentos.
Embora essas pressões ainda não tenham sido totalmente repassadas para todos os produtos da economia, o mercado financeiro acompanha com atenção os possíveis impactos sobre o custo de produção agrícola e sobre a capacidade operacional da cadeia cacaueira do país.
Nos últimos anos, Gana enfrentou uma das mais severas crises econômicas de sua história recente, marcada por forte desvalorização cambial, inflação elevada, dificuldades fiscais e atrasos em pagamentos dentro da cadeia do cacau. O cenário afetou diretamente produtores rurais, exportadores e o sistema de financiamento da estatal COCOBOD.
Apesar da melhora gradual observada nos indicadores macroeconômicos ao longo dos últimos meses, o país ainda convive com desafios importantes relacionados ao financiamento agrícola, logística e custos operacionais. O aumento da inflação, mesmo em ritmo moderado, reacende preocupações sobre possíveis impactos na renda dos produtores e nos custos de comercialização do cacau nas próximas safras.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


