Barry Callebaut revisou para baixo sua projeção de lucro para o ano fiscal, após um desempenho pressionado pela forte queda nos preços do cacau e dificuldades operacionais em seu segmento Gourmet. A reação do mercado foi imediata: as ações da companhia recuaram mais de 15% após o anúncio.
Nos resultados do primeiro semestre, encerrado em 28 de fevereiro, o lucro operacional recorrente (EBIT) caiu 4,2% em moedas locais, totalizando CHF 310,9 milhões. Apesar das margens favoráveis no processamento de cacau, o resultado foi impactado por queda de volumes, interrupções de fornecimento e aumento da concorrência, especialmente na divisão Gourmet.
O CEO Hein Schumacher, em seus primeiros resultados à frente da companhia, reconheceu que a empresa enfrenta desafios relevantes após um período de forte transformação no setor. Segundo ele, a velocidade da queda dos preços do cacau, aliada a um ambiente de sobrecapacidade e pressão competitiva, comprometeu o desempenho operacional.
Durante o período, os preços do cacau recuaram cerca de 61%. Embora esse movimento normalmente beneficie processadores, no caso da Barry Callebaut ele expôs um desalinhamento estratégico no segmento Gourmet, onde a empresa mantinha posições compradas enquanto os preços caíam. Isso resultou em uma estrutura de preços pouco competitiva, levando a uma queda de 3,4% nos volumes dessa unidade.
Para o ano completo, a empresa agora projeta uma queda de dois dígitos médios no EBIT recorrente, revertendo a expectativa anterior de crescimento. Segundo o Morgan Stanley, a nova orientação pode representar uma redução de 20% a 25% em relação às estimativas atuais do mercado.
O volume total de vendas do grupo recuou 6,9% no semestre, somando 1.010.247 toneladas. O segmento de chocolate global apresentou queda de 5,1%, desempenho ainda melhor que a retração de 6,5% observada no mercado global de confeitaria, segundo dados da Nielsen. Na América do Norte, a queda foi mais acentuada, de 12,6%, impactada pelo fechamento temporário da fábrica de St. Hyacinthe, no Canadá.
Apesar da pressão operacional, a empresa registrou melhora significativa em sua geração de caixa. O fluxo de caixa livre atingiu CHF 801,8 milhões, revertendo o resultado negativo de CHF 2,11 bilhões no ano anterior, beneficiado pela queda nos preços do cacau e ajustes no capital de giro. A dívida líquida também recuou para CHF 3,60 bilhões, com a companhia estabelecendo uma nova meta de alavancagem abaixo de 3 vezes o EBITDA.
O desempenho da Barry Callebaut reforça o momento de transição no setor global de cacau e chocolate, onde a volatilidade dos preços e a fragilidade da demanda continuam desafiando até mesmo os maiores players da indústria.
Fonte: mercadodocacau com informações investing


