Inovação, manejo regenerativo, incentivo aos pequenos produtores e formação educacional são prioridades da companhia em Barro Preto
Com o aumento da demanda global por chocolates, o Brasil tem a oportunidade de ampliar sua produção nos próximos anos e figurar entre os líderes na produção sustentável, preservando o meio ambiente e gerando desenvolvimento econômico e social.
O caminho para viabilizar esse crescimento passa não só por investimentos em tecnologia e pesquisa, mas principalmente por ações que fortaleçam os pequenos e médios produtores — responsáveis por cerca de 80% das lavouras de cacau espalhadas pelo país, segundo dados do CocoaAction Brasil, iniciativa criada para fomentar o desenvolvimento dessa cadeia produtiva. Hoje, são aproximadamente 95 mil produtores espalhados pelo território nacional.
Alinhada a esse propósito, a Mars, detentora de marcas bastante conhecidas dos consumidores, como Twix, M&M’S e Snickers, tem colocado o desenvolvimento sustentável da cacauicultura no centro de sua estratégia. A empresa investe em práticas de agricultura regenerativa e no estímulo à produtividade com preservação ambiental, buscando conciliar retorno econômico, conservação da biodiversidade e melhoria da qualidade de vida nas comunidades produtoras.
Dedicação à pesquisa
Esse trabalho é ancorado no Mars Centro de Ciência do Cacau (MCCS), em Barro Preto (BA), a 65 quilômetros de Ilhéus — coração da cacauicultura brasileira. Fundada há mais de 40 anos, a unidade é uma das poucas no mundo dedicadas exclusivamente à pesquisa com cacau. Em parceria com a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), o centro desenvolve clones mais produtivos e resistentes, adaptados às diferentes realidades climáticas e produtivas do país.
“Entendemos que produzir bem e conservar a biodiversidade são objetivos que caminham juntos. Nos nossos projetos, aplicamos esses princípios de forma prática, respeitando as particularidades de cada sistema. Trabalhamos para melhorar a produtividade, mantendo a conservação da floresta e protegendo a fauna e a flora locais”, explica o gerente-geral do MCCS e de operações de R&D, Luciel Fernandes.
Educação e assistência técnica
Outro importante critério é ter produtividade, no mínimo, 10% superior às variedades já disponíveis no mercado. “O clone precisa performar bem nesses quesitos e, claro, oferecer alta qualidade e sabor, alinhada com o padrão dos nossos chocolates”, explica.
A ideia é que, com melhor desempenho, eles tenham sua genética compartilhada e, no futuro, possam ser plantados por centenas de pequenos produtores de cacau de todo o Brasil.
Muito além da pesquisa, o trabalho do MCCS também passa pela educação e pela orientação dos produtores. Por meio de projetos e iniciativas próprias ou em parceria com outros atores da cadeia do cacau, o centro promove cursos de formação, assistência técnica e até o fornecimento de kits agrícolas que auxiliem os produtores na colheita e no manejo dos pés de cacau.
Um dos exemplos dessas iniciativas é o projeto Barro Preto. Iniciado em 2015, o trabalho foi desenvolvido em parceria com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o Sindicato Rural de Barro Preto e a Prefeitura de Barro Preto com o intuito de fornecer aos produtores o conhecimento técnico necessário para o manejo adequado das áreas de cacau em sistema de plantio Cabruca. “Os resultados foram excelentes, em algumas propriedades registramos aumento de até 200% na produtividade das plantas”, orgulha-se o executivo.
Para chegar a esses resultados, os produtores adotaram medidas simples como podas periódicas nas áreas de Cabruca, para aumentar a incidência de luz solar sobre as plantas, além da substituição das mudas por variedades mais modernas e produtivas, passando também por aplicação de fertilizantes e defensivos químicos. “Agora, estamos testando esses ajustes no sistema agroflorestal (SAF) e a pleno sol com irrigação”, explica Fernandes.
No SAF, o intuito é combinar o cultivo do cacau com outras espécies produtivas que geram uma renda adicional ao produtor. Além de contribuírem para a melhora da produtividade, ainda auxiliam na manutenção da qualidade do solo e no sequestro de carbono, tendo papel importante na recuperação de áreas degradadas.
“Buscamos equilíbrio de produtividade, diversidade de espécies e regeneração ambiental, sempre adaptando o desenho do sistema à realidade de cada região e trabalhando dentro da nossa meta, de sermos carbono zero até 2050″, afirma Fernandes.
Ele destaca que o cultivo a pleno sol já está em fase de testes, principalmente no oeste do estado, região que concentra novos investimentos. “Dos três sistemas, esse é o que vem gerando ganhos de produtividade mais significativos, podendo ultrapassar 2,5 toneladas por hectare”, calcula.
Sustentabilidade para novas gerações
Mas o trabalho de fomento à educação não para por aí. Como parte do tripé de sustentabilidade, o MCCS investe também na educação infantil por meio da Escola Municipal Virginia Mars. A instituição, fundada pela companhia e mantida em parceria com a Prefeitura de Barro Preto, atende a cerca de 300 crianças do ensino infantil ao fundamental I do município.
Na grade curricular, além das aulas convencionais previstas no currículo educacional, elas também aprendem na prática sobre a cacauicultura brasileira. O projeto “Cacau para gerações” implantado na escola visa introduzir conceitos sobre preservação ambiental e a cultura do cacau na região, despertando as crianças para a importância do desenvolvimento sustentável da produção.
Fonte: Globo Rural


