Mercado reage a compras técnicas e cacau dispara mais de US$ 400 na sessão

A forte disparada do preço do cacau na última sexta-feira refletiu principalmente um movimento técnico do mercado, impulsionado pelo rompimento de níveis importantes de resistência e pela consequente cobertura de posições vendidas por parte dos fundos. Assim que o contrato de março ultrapassou a zona dos US$ 5.300/ton, ordens automáticas de compra foram acionadas e investidores que estavam vendidos passaram a recomprar contratos, alimentando um rali que ganhou força ao longo do dia.

Apesar da expressiva movimentação, o relatório mais recente do CFTC não captura ainda o posicionamento atualizado dos fundos. A autarquia continua ajustando os dados e divulgou na sexta-feira um boletim atrasado, referente ao período entre 7 e 14 de outubro, quando o contrato de março operava próximo de US$ 5.700/ton. Mesmo defasado, o documento já mostrava que os fundos estavam líquidos vendidos em 4.501 contratos, reforçando a leitura de que parte significativa da alta recente decorreu de ajustes dessas posições baixistas.

A sessão de sexta-feira foi marcada por elevada volatilidade. O contrato de março tocou a mínima de US$ 5.191 e atingiu a máxima de US$ 5.585, encerrando o dia a US$ 5.504/ton, com uma variação positiva de US$ 411. O volume somou 26.360 contratos, com 15.342 negócios realizados, sinalizando maior atividade especulativa e possível entrada de novos participantes. O interesse em aberto subiu levemente, em 108 contratos, totalizando 120.916, o que indica absorção de posições adicionais e potencial continuidade de oscilação nas próximas sessões.

No lado fundamental, os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos monitorados pela ICE tiveram pequena elevação, alcançando 1.711.039 sacas, mas seguem sem exercer pressão relevante de baixa sobre o mercado. A bolsa também informou que não houve novas entregas físicas, mantendo o acumulado em 1.406 contratos, cenário que demonstra menor aperto no mercado spot, mas sem mudanças significativas na dinâmica de curto prazo.

Enquanto isso, no Brasil, o câmbio manteve-se estável. O contrato futuro de dólar com vencimento em dezembro de 2025 permaneceu cotado em R$ 5,38, reduzindo o impacto externo sobre a formação de preços domésticos e ajudando a trazer alguma previsibilidade para indústrias e exportadores em suas estratégias de proteção e reposição.

A combinação de fatores técnicos, posições atrasadas dos fundos e baixa pressão dos estoques certificados moldou o ambiente de forte oscilação visto na sexta-feira. Com a atualização dos relatórios do CFTC ainda pendente e o mercado sensível a novos rompimentos gráficos, a tendência é que a volatilidade permaneça elevada nos próximos dias.

Fonte: mercadodocacau

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