A moagem de cacau na Costa do Marfim voltou a apresentar sinais de enfraquecimento. Segundo dados divulgados pela GEPEX, o processamento de amêndoas no mês de outubro, já referente à safra 2025/26, totalizou 44.075 toneladas, uma queda expressiva de 25,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os números refletem a atividade de seis das maiores empresas de moagem do país, entre elas Barry Callebaut, Olam e Cargill, que juntas representam a espinha dorsal da capacidade industrial marfinense. A Costa do Marfim possui capacidade instalada de aproximadamente 750 mil toneladas, disputando com os Países Baixos a liderança global no processamento de cacau.
A retração na moagem ocorre em um momento delicado para o mercado internacional. O contrato de março, referência da ICE US, segue pressionado e consolidado próximo das mínimas recentes, níveis que não eram vistos desde janeiro de 2024. A proximidade da liquidação física do contrato de dezembro, que começa na sexta-feira, adiciona maior cautela aos participantes, reduzindo o apetite por novas posições.
Na sessão de ontem, o contrato de março oscilou entre US$ 5.327 e US$ 5.544, encerrando o pregão a US$ 5.436/ton, em leve baixa de 21 dólares. O volume negociado alcançou 45.298 contratos, enquanto o número de negócios foi de 17.370. O interesse em aberto mostrou uma redução significativa de 7.187 contratos, recuando para 117.064, sinalizando movimento de saída de posições antes do período de entrega física.
Outro fator de suporte limitado ao mercado é a continuidade da queda nos estoques certificados da ICE, que recuaram para 1.759.756 sacas nos portos dos Estados Unidos, permanecendo em patamar historicamente baixo, mas ainda insuficiente para reverter a pressão de baixa ocasionada pela demanda enfraquecida.
Na esfera cambial, o contrato futuro de Real x Dólar (dezembro), com vencimento em 28 de novembro, opera em alta nesta manhã, cotado a R$ 5,345, refletindo um ambiente global de maior aversão ao risco e fortalecimento da moeda norte-americana.
A combinação entre demanda frágil, retração na moagem africana, estoques limitados e a aproximação da liquidação física mantém o mercado em modo defensivo, enquanto traders avaliam os primeiros sinais da nova temporada e os impactos potenciais na oferta global de cacau.
Fonte: mercadodocacau com informações reuters


