Lá pelos anos 90, quando a vassoura-de-bruxa derramava sua maldição na região cacaueira, a Ceplac, numa série de notas técnicas, mandou o produtor podar e adubar os cacauais. Todo mundo correu para os bancos. Detalhe letal: a Ceplac não sabia que o fungo prolifera mais nos brotos novos, que emergiram fortes, adubados. Em suma, o produtor se endividou para adubar o inimigo.
É essa a tese que tem sido vencedora na Justiça baiana, como na semana passada, em Ipiaú, em que o juiz mandou não só anular as dívidas com bancos como também indenizar o produtor pelo que deixou de produzir, conforme a produção média da época.
Coronéis — O advogado Rogério Brandão, de Ilhéus, que há muito atua em tais causas, diz que uma sucessão de decisões judiciais vai na mesma linha, até porque, em 2004 a própria Ceplac reconheceu que as orientações não atenderam aos objetivos e em 2009 reafirmou.
– E também antigamente a Justiça ainda tinha a imagem da herança cultural de Jorge Amado, a do coronel todo poderoso. Convencemos os juízes de que 50% têm até 10 hectares; de 50% a 85%, até 80 hectares; e até 95%, com 200 hectares. Não existe latifúndio.
Rogério admite que corre muito dinheiro diante disso. Em torno de 25 mil produtores foram induzidos a procurar os bancos. A menor causa que ele tem é de R$ 4,5 milhões, e a maior, R$ 68 milhões. A geração que viveu vassoura pagou caro, mas na atual é outra expectativa.
Fonte: A tarde / Coluna do Levi Vasconcelos


