“Podemos ser uma plataforma para as empresas portuguesas na América Latina, como Portugal pode ser uma plataforma para empresas peruanas na Europa e em África, principalmente nos PALOP”, realça Juan Ruiz, adido comercial do Peru, ao OJE
Juan Ruiz, adido comercial da embaixada do Peru, explica ao OJE a importância social e o peso económico dos dois produtos. Nesta entrevista, revela que Portugal figura no mapa de internacionalização desta commodity, cujo mercado vale 45,3 milhões de euros.
Qual o valor do chocolate como commodity? Está a crescer? Que evolução se prevê para o produto no mercado mundial?
O negócio do cacau e do chocolate está a crescer. Em 2011, ambos somavam 43.4 mil milhões de dólares (3.98 milhões de euros) e, em 2014, atingem os 49.4 mil milhões de dólares (45.3 milhões de euros) de vendas a nível mundial.
Qual a quota do Peru nesse mercado?
Em 2014, a quota do Peru foi mínima, estamos a falar de 350 milhões de dólares. Todavia, ao nível da produção de chocolate orgânico, o Peru é o segundo maior produtor mundial. Já ao nível da matéria-prima, o Peru é responsável por 36% da produção mundial de cacau.
A explicação para o facto de a produção de chocolate ser mínima é apenas uma: a nossa aposta centra-se na qualidade do produto. Para ter uma ideia, o nosso chocolate foi considerado o melhor do mundo na última edição do Chocolate Awards de outubro do ano passado, em Londres.
Como se desenvolveu a cultura do cacau no Peru e qual a importância económica do chocolate para o país?
A cultura de cacau no Peru nasce na civilização Inca, onde o cacau era utilizado como moeda para troca com outros produtos. A importância que o cacau e o chocolate assumem para o Peru é de carater social. O cacau começou, há cerca de 12 ou 15 anos, a ser cultivado com objetivos comerciais, enquanto cultivo alternativo à planta de coca. Por isso, mais que a importância económica ou a percentagem do PIB, a plantação de cacau no Peru ajuda a diminuir os índices de pobreza extrema de forma direta.
Que fatores fazem do chocolate peruano uma commodity tão valiosa?
Estamos a falar de um produto milenário, originário da floresta norte do Peru com o Equador. O cacau do Peru é reconhecido por ser um cacau fino e de aroma, para além de ser nativo. Esta qualidade excecional faz com que, por exemplo, os principais produtores de chocolate do mundo, como a Suíça ou a Bélgica, recorram sempre ao cacau do Peru.
Que percentagem da produção se destina à exportação?
Aproximadamente 65% a 75% da produção tem como destino a exportação o que tem dado uma enorme ajuda a zonas muito pobres do Peru.
Quais são os principais mercados compradores do produto? Portugal está entre eles?
Os principais países são a Holanda, a Bélgica, a Itália, a Espanha, o Reino Unido, a Suíça e os Estados Unidos. Em 2015, Portugal comprou, ao Peru, aproximadamente cem mil dólares de cacau. Não sendo um dos principais compradores, a participação neste evento ajuda-nos a dar a conhecer o nosso país em Portugal, fator de enorme relevância.
Portugal está no vosso mapa de internacionalização? Que razões levam o Peru a apostar neste país Ibérico?
Portugal é uma aposta para o Peru. Foi nesse sentido que abrimos o escritório comercial do Peru do Ministério de Comercio Exterior e Turismo há dois anos, para fomentar as relações bilaterais entre os dois países. Com certeza que podemos ser uma plataforma para as empresas portuguesas na América Latina e Portugal pode, ainda, ser uma plataforma para empresas peruanas na Europa e em África, principalmente nos PALOP.
O Peru é o país convidado do evento “O Chocolate em Lisboa”, que, até domingo, decorre no Campo Pequeno, em Lisboa. O seu país é tradicionalmente o anfitrião dos eventos de cacau a nível mundial. A que se deve essa internacionalização?
Sempre tivemos, no cacau, um bom produto, mas achámos que estava na hora de o dar a conhecer ao mundo.
Em outubro do ano passado, o chocolate peruano ganhou o prémio do melhor chocolate do mundo em Londres, mais um reconhecimento a nível mundial.
Por isso, estamos a internacionalizar e a dar-nos a conhecer, não apenas pelo cacau mas também com outros produtos, como é o caso da quinoa, da maca, do pisco, da lúcuma, entre outros.
Que impacto é esperado da vossa participação no evento O Chocolate em Lisboa?
O principal impacto que esperamos ter é dar a conhecer o Peru e o chocolate junto do consumidor português. E, claro, fomentar as relações comerciais entre os dois países. Fonte: oje.pt


