Indícios foram foram detectados em propriedade rural em Marechal Thaumaturgo, que passou por vistoria do Idaf na segunda-feira (20). Equipe coletou amostras da fruta para análise.
Um novo caso suspeito de monilíase está sendo investigado em uma propriedade rural na comunidade Foz do Arara, em Marechal Thaumaturgo, no interior do Acre. Segundo o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre, a equipe técnica do órgão foi até o local na última segunda-feira (20) após a identificação de indícios da doença em frutos de cupuaçu.
De acordo com o órgão, a suspeita surgiu depois que um técnico agrícola do município observou alterações na coloração de um fruto e sinais compatíveis com a praga. Amostras precisaram ser coletadas na propriedade e encaminhadas para análise laboratorial, que deve confirmar ou descartar a presença da doença.
A chefe do Departamento Tático de Ações Vegetal e Florestal do Idaf, Waldirene Gomes, ressaltou que ainda não há confirmação do caso. Em 2021, a cidade de Cruzeiro do Sul, também no interior do estado, se tornou a primeira do país a confirmar um registro de monilíase no país.
“Neste momento, trata-se apenas de uma suspeita. Havendo confirmação, todas as medidas fitossanitárias emergenciais serão adotadas para conter a praga no município”, explicou.
Ainda de acordo com o Idaf, para tentar conter o avanço da doença, é feito o monitoramento das áreas com o objetivo de eliminar focos quando identificados, além de orientar produtores e moradores sobre como proceder em casos suspeitos.
O órgão também mantém fiscalização na BR-364, na região do Rio Liberdade, para evitar a circulação de materiais que possam espalhar a praga para outras localidades.
Além disso, em janeiro deste ano, o Acre recebeu mais de R$ 2,2 milhões do governo federal para reforçar as ações de prevenção e combate à monilíase no estado. O repasse foi oficializado no dia 8 daquele mês, conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU).
Os recursos são destinados a medidas de vigilância fitossanitária, monitoramento e controle da doença.
Do total, parte do valor é voltada para a compra de veículos, embarcações e equipamentos usados nas ações em campo. O restante deve ser aplicado no custeio de materiais, capacitação de equipes e despesas operacionais, como combustível e diárias.
Monilíase
A monilíase é considerada uma das principais ameaças à produção de cacau na região amazônica. O primeiro foco da doença no Brasil foi identificado em 2021, no Acre, e isso foi o que levou à adoção de medidas.
A doença afeta, principalmente, plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma cacao L.) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum), causando perdas na produção e uma elevação nos custos devido à necessidade de medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas para o controle da praga.
A disseminação pode ocorrer de forma natural, por meio do vento, da chuva e de insetos, mas também está relacionada à ação humana, especialmente com o transporte de frutos, sementes, mudas e até objetos contaminados.
Essa é uma doença que atinge somente as plantas hospedeiras do fungo, sem riscos de danos à saúde humana.
O Ministério alerta que, devido ao seu potencial de danos às culturas, “é de fundamental importância a notificação imediata de quaisquer suspeitas de ocorrência da praga nas demais regiões do país às autoridades fitossanitárias locais.”
Na América do Sul, a praga já está no Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia e Peru.
Fonte: G1


