Preço atrativo e diversificação alastram ‘minipolos’ de cacau

O preço do cacau já se distanciou um pouco do recorde que atingiu em 18 de dezembro de 2024, quando as cotações alcançaram US$ 12.565 por tonelada na bolsa de Nova York, mais isso não reduziu o interesse de produtores brasileiros em levar a cultura a regiões que têm pouca ou nenhuma tradição na atividade. Nos últimos cinco anos, a produção cresceu também fora do Pará e do sul da Bahia, os dos maiores polos de cultivo no Brasil, que respondem, juntos, por mais de 90% da produção.

Uma das razões para o interesse pela cultura seguir elevado é que, mesmo com a queda que acumulou desde dezembro, o preço do cacau ainda segue em patamar atrativo. As cotações se estabilizaram na casa de US$ 8 mil, bem acima da média histórica, que era de US$ 3 mil até 2023.

“Temos também a crise de produção na Costa do Marfim e em Gana [os maiores produtores globais]. As grandes empresas do mercado estão buscando novos fornecedores”, diz Vitor Stella, coordenador técnico da CocoaAction Brasil, uma iniciativa público-privada que trabalha para desenvolver a cultura e reforçar a sustentabilidade na cadeia produtiva.

Mesmo problemas em outras culturas são portas que se abrem para a amêndoa. Stella conta que o greening, doença bacteriana sem cura que afeta plantações de laranja, tem crescido em São Paulo e na região do Triângulo e Sudoeste Mineiro, onde fica o maior parque citrícola do mundo. “Os citricultores começaram a olhar com carinho outras culturas, e o cacau, por ser perene, tem sido uma escolha frequente”, observa.

No oeste da Bahia, polo relevante de cultivo de grãos e algodão, tem crescido o número de produtores que decidiram apostar no plantio de cacau. “São lavouras de larga escala, a pleno sol, que buscam altíssima produtividade”, conta Stella.

Na região norte de Minas Gerais, o cacau ocupa hoje 600 hectares, mas já se prevê que a área chegue a 3 mil hectares até o fim de 2026, segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Montes Claros. “A região tem mais de 20 mil hectares de banana, e o cacau tem sido implantado em consórcio com as bananeiras”, afirma o especialista.

Há “minipolos” em outras áreas do Nordeste além da Bahia. Em Juazeiro do Norte (CE), o cacau já é uma das culturas preferidas em sistemas de consórcio com outras culturas. Segundo Stella, há grandes produtores investindo na combinação do fruto com coco.

Já em São José do Rio Preto, na região noroeste de São Paulo, o cacau avança “por motivos de clima e mercado”, relata o especialista. A região, de temperaturas elevadas, é hoje a maior produtora de seringueiras do país.

Muitos dos protagonistas da expansão da cultura estarão em Ilhéus (BA) na semana que vem, entre os dias 26 e 28 de agosto, para participar da Expocacau, a primeira feira agrícola dedicada exclusivamente à cultura. A organização já recebeu inscrições de participantes e delegações de 25 Estados e prevê reunir 3 mil produtores, técnicos agrícolas, estudantes, pesquisadores, consultores e representantes da indústria.

A Expocacau teve como origem um fórum mais restrito, para 200 pessoas, que começou em 2018. Neste ano, os organizadores decidiram transformar o encontro em uma feira para todos os integrantes da cadeia. O evento reunirá cerca de 50 expositores, terá um ambiente para negócios e seguirá também com o fórum de palestras e debates técnicos.

Para destacar as mudanças do perfil da cultura, a “Globo Rural” realizará, a partir de segunda-feira, a “Semana do Cacau”. A iniciativa incluirá a produção de reportagens e conteúdos exclusivos sobre o segmento em todas as plataformas da marca — site, podcast, redes sociais, boletins na rádio CBN e jornais Valor e “O Globo” —, além de cobertura completa da feira, diretamente de Ilhéus.

Fonte: Globo Rural

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