Por: Claudemir Zafalon
O mercado de cacau segue sob forte pressão, refletindo uma combinação de fatores que apontam para manutenção de preços fragilizados no curto prazo. As recentes notícias de queda na demanda e na margem operacional reportadas por gigantes do setor como Barry Callebaut e Lindt, somadas ao pool da Reuters projetando preços mais baixos até o final do ano, reforçam o pessimismo. Tecnicamente, os gráficos de dezembro mostram um sinal clássico de enfraquecimento, o que contribui para o viés negativo.
Na quarta-feira, o contrato dezembro oscilou entre a mínima de US$ 7.474 e a máxima de US$ 7.750, encerrando o dia em US$ 7.669/ton, com alta de US$ 123. Foram realizados 7.394 contratos, movimentando um volume total de 14.933 contratos, enquanto o interesse em aberto se manteve estável em 90.748 posições. Apesar da leve recuperação no fechamento, o padrão técnico sugere que a resistência permanece sólida, limitando o espaço para ganhos consistentes.
Os estoques certificados nos portos dos EUA, monitorados pela ICE, registraram uma queda de 8.725 sacas, totalizando 2.152.022 sacas. Já as entregas físicas não apresentaram movimentações na quarta-feira, com o acumulado permanecendo em 595 contratos no mês, um sinal de que o mercado físico continua em compasso de espera.
No Brasil, o contrato futuro de Real x Dólar (outubro) encerrou a quarta-feira inalterado em R$ 5,49, mostrando estabilidade mesmo diante da volatilidade global. Nos EUA, a agenda macroeconômica promete trazer impacto adicional: hoje serão divulgadas as estatísticas de novos pedidos de auxílio-desemprego, índices de produtividade, balança comercial, gerentes de compras (PMI) e o relatório nacional de empregos privados (ADP). Esses indicadores poderão influenciar diretamente o apetite de investidores e o fluxo cambial, impactando indiretamente as commodities, incluindo o cacau.
Com a demanda global desaquecida, margens comprimidas na indústria e um cenário técnico desfavorável, os preços do cacau devem continuar pressionados. O alívio nos estoques nos portos dos EUA ainda não foi suficiente para inverter a tendência de baixa. Assim, os próximos pregões devem manter a volatilidade, mas com viés predominante de enfraquecimento.
Fonte: mercadodocacau


