Safra brasileira de cacau 2025/26 divide opiniões e revela cenários distintos entre os estados produtores

A safra brasileira de cacau 2025/26 segue cercada por avaliações divergentes entre produtores, técnicos e agentes de mercado. Enquanto algumas regiões enfrentam desafios relacionados ao clima e à sanidade das lavouras, outras mantêm expectativas mais favoráveis, refletindo a diversidade das condições produtivas observadas no país.

Na Bahia, principal estado produtor do Nordeste, especialistas relatam que a safra temporã apresentou antecipação em seu calendário tradicional. Em diversas regiões produtoras, as colheitas tiveram início ainda no começo de abril, período anterior ao ciclo historicamente observado, que normalmente se estende entre maio e setembro.

De acordo com técnicos que acompanham o desenvolvimento das lavouras, cerca de 60% da safra temporã baiana já foi alcançada ou encontra-se em processo de colheita. Apesar do avanço dos trabalhos de campo, a expectativa predominante é de que o volume final fique abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.

Entre os principais fatores que limitam o potencial produtivo das lavouras baianas está o aumento da incidência de doenças fúngicas. Produtores e consultores apontam a forte presença de vassoura-de-bruxa e podridão-parda em diversas áreas, reduzindo o aproveitamento dos frutos e elevando os custos de manejo. A situação preocupa especialmente em propriedades que enfrentaram restrições financeiras para investir em tratos culturais ao longo dos últimos meses. Importante ressaltar que as lavouras se mostram em baixa perspectivas de formação de florada e bilração para a safra principal que ocorre entre setembro e abril.

No Pará, por outro lado, o cenário é considerado mais equilibrado. Técnicos e produtores relatam que o estado mantém um desenvolvimento dentro da normalidade, respeitando o ciclo tradicional das plantas. As condições observadas até o momento indicam um processo de colheita regular, sem alterações significativas no calendário produtivo.

O desempenho paraense continua sendo acompanhado com atenção pelo mercado, uma vez que o estado consolidou sua posição como o maior produtor nacional de cacau e tem ampliado sua participação na oferta brasileira nos últimos anos.

Já em Rondônia, as perspectivas são positivas. Especialistas do setor afirmam que a safra atual apresenta desempenho superior ao registrado no ano passado. O estado deve produzir aproximadamente 2 mil toneladas nesta temporada, beneficiado pela entrada em produção de áreas mais novas e tecnificadas.

Segundo as estimativas locais, cerca de 70% da produção das lavouras tradicionais já foi colhida. Entretanto, a expectativa é de que as áreas mais jovens contribuam com um volume adicional relevante nos próximos meses, fortalecendo o resultado final da safra estadual.

Mercado acompanha oferta nacional

A combinação desses diferentes cenários ajuda a explicar a dificuldade do mercado em estabelecer uma avaliação consensual sobre a safra brasileira 2025/26. Enquanto a Bahia enfrenta perdas relacionadas à pressão de doenças e à menor produtividade, Pará e Rondônia apresentam indicadores mais favoráveis.

Diante desse quadro, compradores e indústrias seguem monitorando o ritmo das colheitas e a evolução da oferta física ao longo do segundo semestre.

Fonte: mercadodocacau

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