Safra de cacau da Costa do Marfim pode cair mais de 10% em 2026/27

A principal safra de cacau da Costa do Marfim em 2026/27 poderá registrar queda superior a 10%, pressionada pelo excesso de chuvas, avanço de doenças e manejo insuficiente das lavouras. O cenário aumenta as preocupações com a oferta do maior produtor mundial em meio ao risco de fortalecimento do El Niño.

Estimativas de contadores de frutos e grandes exportadores que acompanham as plantações indicam uma produção entre 1,35 milhão e 1,45 milhão de toneladas na safra principal, abaixo das cerca de 1,6 milhão de toneladas estimadas para a temporada atual.

Projeções iniciais da Oxford Economics apontam para um cenário ainda mais negativo, com possibilidade de queda de aproximadamente 20% na produção total de cacau do país em 2026/27. Entre os principais riscos estão os impactos climáticos associados ao El Niño e o aumento dos preços dos fertilizantes, que pode limitar os investimentos dos produtores nas lavouras.

Levantamentos realizados no final de junho indicaram que mais de 20% das flores e cherelles, os frutos jovens do cacaueiro, morreram entre maio e junho devido às fortes chuvas. O excesso de umidade provocou amarelecimento e queda prematura dos frutos, reduzindo o potencial da próxima colheita.

As condições mais frias e úmidas também favoreceram o avanço da podridão-parda, doença fúngica que causa o apodrecimento dos frutos e representa uma das principais ameaças às lavouras da África Ocidental.

Ao mesmo tempo, a presença de grandes frutos verdes em regiões responsáveis por cerca de 80% da produção marfinense aponta para uma safra intermediária forte na temporada atual. No entanto, exportadores avaliam que a elevada carga produtiva pode ter provocado maior desgaste das árvores, reduzindo sua capacidade de produção no próximo ciclo.

As preocupações aumentam diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño, fenômeno capaz de alterar os padrões de chuva, ventos e temperaturas na África Ocidental, região responsável por cerca de 70% da produção mundial de cacau.

O histórico recente mantém o mercado em alerta. Durante o último El Niño, entre 2023 e 2024, os problemas climáticos contribuíram para uma grave restrição de oferta e para a forte escalada dos preços internacionais do cacau. Com sinais de perdas já observados nas lavouras, o desenvolvimento da próxima safra da Costa do Marfim volta a ser um dos principais fatores de atenção para o mercado global.

Fonte: mercadodocacau com informações reuters

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