Por: Claudemir Zafalon
O avanço das tensões geopolíticas no Oriente Médio voltou a influenciar diretamente os mercados globais nesta semana, trazendo volatilidade tanto para as commodities energéticas quanto para ativos agrícolas. Os preços do petróleo retomaram o patamar acima de US$ 100 por barril, impulsionados pela escalada de incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o fluxo global de energia.
O movimento ocorre após o fracasso das negociações de paz realizadas em Islamabad no último fim de semana. Em resposta, o ex-presidente Donald Trump intensificou o tom ao buscar restringir o tráfego de e para portos iranianos, além de sinalizar o envio de forças navais dos Estados Unidos para a região. Embora ainda não esteja claro se esse novo capítulo comprometerá o cessar-fogo de duas semanas anunciado anteriormente, o mercado já começa a reagir com maior aversão ao risco, revertendo parte do alívio observado na semana passada.
No mercado de cacau, por outro lado, o cenário segue marcado por uma consolidação técnica, com os preços operando dentro de um intervalo limitado enquanto os agentes aguardam os dados globais de moagem do primeiro trimestre, considerados fundamentais para medir o real nível de demanda por derivados.
Na última sexta-feira, o contrato de maio encerrou cotado a US$ 3.246 por tonelada, registrando alta de US$ 84 no dia. A oscilação ficou entre a mínima de US$ 3.162 e a máxima de US$ 3.261, com 20.139 negócios realizados e volume total de 58.879 contratos. O interesse em aberto apresentou recuo de 1.179 posições, totalizando 198.547 contratos.
Do lado da oferta, os estoques certificados monitorados pela ICE nos portos dos Estados Unidos voltaram a subir de forma relevante, com acréscimo de 35.420 sacas, atingindo 2.540.983 sacas, o maior nível dos últimos dois anos. Esse dado reforça a percepção de disponibilidade confortável no curto prazo, fator que continua limitando movimentos mais consistentes de alta.
Os indicadores técnicos também refletem esse equilíbrio momentâneo. O RSI (Índice de Força Relativa) permanece na zona neutra, ao redor de 49%, indicando ausência de direção clara no curto prazo. As resistências seguem posicionadas entre US$ 3.350 e US$ 3.500, enquanto os suportes estão nas regiões de US$ 3.000 e US$ 2.800.
O mercado agora volta suas atenções para a divulgação das moagens do primeiro trimestre, prevista para esta quinta-feira (16). Os números serão conhecidos ao longo do dia, com dados da Europa às 03h, Ásia às 05h e América do Norte às 17h (horário de Brasília). A expectativa predominante é de desempenho mais fraco, refletindo a fragilidade da demanda global por derivados de cacau.
Outro ponto de atenção é o início do período de liquidação física do contrato de maio, marcado para 24 de abril, o que pode trazer ajustes adicionais de posicionamento nas próximas sessões.
No cenário cambial, o contrato futuro de Real x Dólar com vencimento em 30 de abril de 2026 é negociado a R$ 5,12, mantendo um patamar que segue relevante para a formação de preços no mercado doméstico, especialmente em um ambiente de pressão sobre os diferenciais e margens da indústria.
Com um pano de fundo marcado por estoques elevados, demanda ainda enfraquecida e incertezas macroeconômicas e geopolíticas, o mercado de cacau tende a permanecer sensível aos próximos dados de moagem e ao comportamento dos fluxos globais nas próximas semanas.
Fonte: mercadodocacau


