Por: Claudemir Zafalon
O clima de tensão voltou aos mercados globais nesta terça-feira, com o VIX — conhecido como o “indicador de medo” de Wall Street — atingindo seu maior nível em quase quatro meses, em meio à combinação de fatores que aumentam a aversão ao risco: o avanço da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o início da temporada de resultados corporativos e a expectativa pelos discursos do Federal Reserve e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O aumento da volatilidade implícita nos mercados acionários ocorre justamente quando o entusiasmo recente com as ações de inteligência artificial — liderado pela Broadcom — começa a perder força. Após a breve recuperação de segunda-feira, as bolsas voltaram a cair durante a madrugada, refletindo o ambiente de incerteza antes da divulgação dos balanços dos grandes bancos americanos e do Panorama Econômico Mundial do FMI.
Setor de cacau e chocolate ainda sofre com efeitos da alta histórica de preços
Paralelamente, uma reportagem da Bloomberg destacou que a demanda global por chocolate segue em retração, mesmo após o recuo das cotações internacionais do cacau em relação aos picos recordes do início do ano. Segundo a publicação, a desaceleração das fábricas de moagem em todo o mundo se aprofundou, revelando que os impactos do encarecimento da matéria-prima ainda estão sendo absorvidos pelos processadores e pela indústria de confeitaria.
No mercado futuro, o contrato de dezembro do cacau em Nova York oscilou ontem entre US$ 5.631 e US$ 5.997 por tonelada, encerrando o dia em US$ 5.822, com leve queda de US$ 26. O volume negociado foi de 11.595 contratos, totalizando 31.406 lotes, enquanto o interesse em aberto permaneceu estável em 121.299 contratos — sinal de que o mercado segue em consolidação, à espera dos relatórios de moagem e dos novos números de oferta da África Ocidental.
Os estoques certificados nos portos dos Estados Unidos, monitorados pela ICE, permaneceram praticamente estáveis em 1.895.300 sacas, sugerindo equilíbrio momentâneo entre embarques e retiradas.
No câmbio, o contrato futuro de novembro do dólar/real recuperou parte da baixa de ontem e voltou a ser cotado em R$ 5,51, após o fechamento anterior em R$ 5,475. A oscilação reflete a volatilidade típica de um ambiente global de maior aversão ao risco, em que os investidores buscam proteção em ativos dolarizados.
Fonte: mercadodocacau


