A Mars Incorporated, uma das maiores fabricantes de chocolates do mundo, anunciou uma parceria com a organização Save the Children para implementar um amplo programa de fortalecimento das comunidades produtoras de cacau na Indonésia. Batizada de Women R.I.S.E. (Resilient & Inclusive Systems for Empowerment), a iniciativa contará com investimentos de US$ 3 milhões, provenientes do Mars Impact Fund, e será desenvolvida ao longo dos próximos três anos.
O projeto pretende beneficiar diretamente mais de 17 mil produtores de cacau, com a meta de que 60% dos participantes sejam mulheres, reforçando uma estratégia cada vez mais adotada pela indústria global: promover o empoderamento feminino como ferramenta para aumentar a sustentabilidade econômica, social e ambiental da cadeia produtiva.
A iniciativa combina inclusão financeira, capacitação em liderança, fortalecimento da governança comunitária, diversificação da renda e adoção de práticas agrícolas inteligentes para o clima. O objetivo é aumentar a capacidade das comunidades rurais de enfrentar desafios como mudanças climáticas, oscilações na produtividade, baixa renda agrícola e dificuldades de acesso a crédito e serviços financeiros.
Entre as principais ações previstas está a ampliação das Associações de Poupança e Empréstimo das Aldeias (Village Savings and Loan Associations – VSLAs), modelo que permite às famílias rurais criar mecanismos próprios de poupança e acesso ao crédito, reduzindo a dependência de financiamentos externos e fortalecendo a autonomia financeira das comunidades.
Segundo Isabel Dimitrov, diretora do Mars Impact Fund, o fortalecimento das famílias produtoras é essencial para garantir o futuro da cadeia do cacau.
“A verdadeira resiliência comunitária é construída a partir da base. Estamos investindo em ferramentas que ajudam as famílias produtoras de cacau a diversificar sua renda, proteger seus filhos e construir um futuro mais seguro e mais justo.”
A iniciativa reflete uma mudança importante na forma como a indústria internacional enxerga o papel das mulheres na produção de cacau.
Embora participem ativamente das atividades agrícolas e contribuam significativamente para a renda das famílias, mulheres de diversas regiões produtoras ainda enfrentam restrições relacionadas ao acesso à terra, crédito, assistência técnica, capacitação e participação nas decisões comunitárias.
Diversos estudos apontam que o aumento da autonomia econômica feminina gera impactos positivos que vão além da produção agrícola. Famílias com maior participação financeira das mulheres tendem a investir mais em educação, saúde e alimentação, reduzindo a vulnerabilidade social e fortalecendo o desenvolvimento das comunidades.
Nesse contexto, programas de inclusão feminina deixaram de ser vistos apenas como iniciativas sociais e passaram a integrar a estratégia de sustentabilidade das grandes empresas do setor.
O lançamento do programa ocorre em um momento de crescente preocupação com a sustentabilidade da produção global de cacau. O setor enfrenta desafios relacionados às mudanças climáticas, ao envelhecimento dos produtores, à baixa rentabilidade das propriedades e às crescentes exigências de consumidores e reguladores por cadeias produtivas mais sustentáveis e rastreáveis.
Na Indonésia, assim como em outras regiões produtoras, a adoção de práticas agrícolas adaptadas ao clima e a diversificação das fontes de renda são consideradas fundamentais para reduzir os riscos enfrentados pelos agricultores.
Segundo Mutmainnah, especialista em desenvolvimento comunitário da Mars, o programa busca criar comunidades economicamente mais fortes e preparadas para enfrentar as mudanças climáticas.
“Estamos comprometidos em apoiar comunidades produtoras de cacau que possuam resiliência econômica, forte coesão social e capacidade de adaptação ao clima. Nossa meta é construir modelos de desenvolvimento sustentáveis para as futuras gerações.”
Fonte: mercadodocacau com infomrações confectionerynews



