Indústria mineira cria conceito de CacauTech

Enquanto o Brasil ainda importa mais cacau do que produz, uma indústria mineira quer mudar a forma como o país enxerga esse fruto estratégico para a economia de alimentos. Sediada em São Gonçalo do Rio Abaixo, no Vale do Aço, a Fralía Cacau Brasil apresenta ao mercado o conceito de CacauTech, uma nova abordagem industrial que une tecnologia, inovação e biotecnologia para aproveitar todo o potencial do cacau e não apenas a amêndoa.

A proposta parte de uma provocação: a indústria tem explorado apenas uma pequena parcela do fruto. Atualmente, a amêndoa representa entre 6% e 10% do cacau, enquanto outros componentes, como o mel de cacau, a sibira (placenta do fruto) e as fibras que envolvem a amêndoa, ainda são pouco aproveitados e, em muitos casos, descartados.

“A pergunta que não quer calar é: será que estamos tratando o cacau com o tamanho do futuro que ele realmente merece?”, afirma Matheus Pedrosa dos Reis, CEO da Fralía Cacau Brasil.

Segundo o executivo, o desafio está em transformar essas partes hoje subutilizadas em novos produtos e oportunidades econômicas. “Os dois grandes entraves são conhecidos e concretos: o processamento e a conservação dessas frações, que se degradam poucas horas depois da colheita. A tecnologia é o caminho para transformar esse potencial em valor”, explica.

A inovação ganha relevância diante do cenário da cadeia produtiva brasileira. O país consome entre 260 mil e 280 mil toneladas de cacau por ano, mas produz cerca de 220 mil toneladas, mantendo-se como importador líquido do produto. No mercado global, aproximadamente 70% da produção está concentrada na África Ocidental, enquanto o Brasil ocupa posição entre os seis ou sete maiores produtores mundiais.

Para a Fralía, o conceito de CacauTech não representa um projeto futuro, mas a forma como a empresa já está organizada. A estratégia envolve tecnologia aplicada aos processos industriais, pesquisa para aproveitamento integral do fruto e uma relação mais próxima com produtores e clientes. “Nós não acreditamos na tecnologia que afasta ou substitui pessoas. Nós construímos a tecnologia que multiplica o potencial delas”, destaca Pedrosa.

Minas Gerais como polo de inovação no cacau

A iniciativa também chama atenção pelo local onde está sendo desenvolvida. Tradicionalmente associado à produção de cacau na Bahia e no Pará, o Brasil começa a observar novas possibilidades de expansão da cadeia produtiva em outras regiões.

Em Minas Gerais, existem atualmente cerca de 700 hectares plantados com cacau, sendo aproximadamente 350 a 400 hectares já em produção, principalmente no Norte do estado. A Fralía, porém, leva a transformação industrial para uma região sem tradição histórica na cultura do fruto: o Vale do Aço.

“Foi aqui, em Minas Gerais, na terra que aprendeu a transformar suor em potência industrial, que decidimos dar o próximo passo”, afirma o CEO da empresa. “Crescer por crescer é apenas ocupar espaço. Nós viemos para deixar um legado”, completa.

Com 21 anos de atuação no setor, a Fralía Cacau Brasil produz semiprocessados de cacau, como pó natural, pó alcalino e manteiga de cacau, destinados às indústrias de alimentos, distribuidores e varejo. A empresa foi reconhecida entre as 30 empresas do ranking Exame NEEX e, pelo segundo ano seguido, foi listada como uma das empresas que mais crescem no Brasil. Dessa forma, busca posicionar Minas Gerais como um novo território de inovação na cadeia mundial do cacau.

Fonte: fiemg

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